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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Como presidente da Câmara, Waldir Maranhão encerra sessão e diz que é 'preciso aguardar'; deputados de oposição realizam o 'Fora Cunha'

Deputados da oposição a Cunha colocam faixas com dizeres " Fora Cunha" na mesa do Plenário da Câmara em Brasília
IGOR GADELHA E DAIENE CARDOSO  
O ESTADO DE S.PAULO

BRASÍLIA - Ao chegar na Câmara dos Deputados nesta quinta-feira, 5, o vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), foi até o plenário e, ao sentar-se na cadeira da presidência, encerrou a sessão plenária. Maranhão, que também é investigado na Lava Jato, está reunido com assessores na presidência da Casa.

Maranhão deixou o plenário dizendo apenas que era preciso "aguardar" os desdobramentos da decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do mandato de deputado federal e, consequentemente, da presidência da Casa.

A transmissão ao vivo do plenário pela TV Câmara foi cortada, mas os deputados seguem no plenário discursando. Alguns seguram plaquinhas com o dizer "Tchau querido", em alusão a um cartaz usado pela oposição no impeachment da presidente Dilma Rousseff que dizia "Tchau querida". A "sessão informal" está sendo "presidida" pela deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que está sentada na cadeira da presidência. Acompanham a deputada na Mesa Diretora colegas do PSOL, PT e PCdoB.

Não é a primeira vez que Erundina faz esse gesto: na semana passada, durante a votação de um projeto para criar novas comissões, a deputada participou de um protesto em plenário e ocupou a cadeira da presidência.

Waldir Maranhão encerra sessão
Waldir Maranhão (PP-MA) chegou à Casa por volta das 10h40 desta quinta-feira. Acompanhado de assessores, ele seguiu direto para o gabinete da presidência da Câmara, até ontem usado por Cunha. Maranhão evitou falar com a imprensa. Ao ser questionado se assumiria o cargo, respondeu apenas: "é o que a Constituição diz". Líderes partidários entram na sala da presidência a todo o momento para conversar com o presidente interino, entre eles, os líderes do PSDB, Antônio 

Do gabinete de Maranhão, líderes de partidos do chamado "centrão" e da oposição seguiram para a sala da liderança do PP, que fica próxima da presidência da Câmara. Lá líderes de siglas como PTB, PSD, PSC, DEM, PP e PR discutem como vão se posicionar após o afastamento de Eduardo Cunha. Oficialmente, o discurso deles é de esperar a análise do plenário do Supremo Tribunal Federal, prevista para tarde desta quinta.

'Cunha fraco'
Em uma manhã agitada, os líderes partidários se acotovelavam no Salão Verde para comentar e comemorar o afastamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Casa. No plenário, parlamentares se revezavam em discursos para defender a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki.

Candidato a sucessor do peemedebista, Rogério Rosso (DF), líder do PSD e ex-presidente da comissão especial do impeachment da presidente Dilma Rousseff, lembrou que o afastamento de um presidente da Câmara é "novidade na República", mas que não há dúvidas de que a decisão da Corte será cumprida. Para Rosso, o comando da Casa agora é do vice Waldir Maranhão (PP-MA). "Por isso existe essa linha sucessória", justificou.

Rosso afirmou que a medida do STF não altera o processo de impeachment da presidente Dilma. "Não há que se confundir, fazer conexões com o impeachment", afirmou.

Líder da Rede, partido que entrou com a ação pedindo o afastamento de Cunha no STF, o deputado Alessandro Molon (RJ) lembrou que o primeiro movimento de legendas pedindo a saída de Cunha aconteceu em novembro passado, quando os deputados recorreram à Procuradoria-Geral da República (PGR). Molon disse que Teori tomou uma decisão "corajosa", que o ministro compreendeu a urgência da situação e que sua sensação é que ela será confirmada pelo pleno da Corte.

Para Molon, o peemedebista não podia usar o mandato, a presidência da Câmara, e ficar impune. "Ele podia muito, mas não podia tudo. O limite dele é a lei", comemorou. A expectativa do líder é de que Cunha se enfraqueça politicamente agora e que o processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética se acelere. "Não ganhamos ainda a guerra, mas ganhamos certamente uma das batalhas mais importantes da Casa", resumiu Molon.

Outro a celebrar a decisão do STF foi o líder da bancada do PSOL, Ivan Valente (SP). O parlamentar considerou a decisão tardia, mas acredita que a mesma que contribuirá para não desmoralizar a Câmara. "Nunca ele poderia ter presidido o processo de impeachment. Cunha mancha o Congresso Nacional", comentou. Valente também prevê o enfraquecimento do peemedebista e diz que dificilmente seus aliados continuarão o apoiando na Casa. "Cunha é do tipo que cai atirando. Tem muita gente com medo dele", declarou.

A deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) - que recentemente numa rebelião em plenário sentou-se na cadeira de Cunha - definiu o afastamento de Cunha como "vitória da democracia" e disse que a Casa precisa resgatar sua credibilidade. "A Casa deveria ter afastado há muito tempo esse deputado corrupto", afirmou. Ela condenou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a ascensão do vice-presidente da República Michel Temer ao Poder. "Que situação é essa? Que País é esse?", desabafou. 

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