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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Flávio Dino: “O fascismo é um demônio que quando sai da garrafa é difícil fazer com que ele retorne”

"É preciso que haja uma mobilização cidadã, ampla, democrática, progressista, avançada de todos, não só dos beneficiários concretos das políticas sociais, mas de todos que compreendem que para haver uma Nação verdadeira é preciso que haja igualdade de oportunidades. Igualdade de chances"
De Jornalistas Livres
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O governador Flávio Dino, em entrevista ao site Jornalistas Livres, em Brasília, disse que o processo de impeachment contra a presidente Dilma é um absurdo jurídico e político e que tem esperança que o Supremo restabeleça a autoridade da Constituição e o respeito às regras democráticas.

Em outro ponto, destacou o processo é movido pelos interesses da elite econômica deste país, dos mais ricos, daqueles que não defendem e não concordam com as políticas de democratização do acesso ao poder, ao conhecimento e à riqueza. 

"Se eles estão cometendo esse ato político, é claro que é para beneficiar, em primeiro lugar, seus próprios interesses, que são contraditórios em relação aos interesses da maioria do povo", disse.

Ao lamentar, mais uma vez, esse ataque à presidente Dilma, o governador alertou para outras consequências do impeachment, como a possibilidade de fortalecimento do fascismo no país."O fascismo é um demônio que quando sai da garrafa é difícil fazer com que ele retorne. Ele costuma contaminar não só a vida política, mas também outros aspectos da vida social. Por isso, é preciso ter uma atitude democrática muito firme para que o fascismo seja combatido", acrescentou.

Confira a entrevista:

Jornalistas Livres - Como o senhor está sentindo este momento?

Flávio Dino - Com muita indignação. Uma brutal injustiça contra a presidente Dilma, que não cometeu nenhum crime de responsabilidade. É um absurdo jurídico e político o que está sendo feito. Lamento muito, como brasileiro, que as regras do jogo inscritas na Constituição não sejam respeitadas. E sempre tenho esperança na luta do povo, na luta da sociedade. Esperança que as instituições, que ainda apreciarão esse pedido de impeachment, finalmente reflitam melhor sobre isso. Refiro-me tanto ao Senado, que ainda vai julgar, quanto eventualmente ao próprio Supremo que pode julgar, ainda, esse processo. Tenho esperança que restabeleça a autoridade da Constituição e o respeito às regras da democracia.

JL - No caso de o impeachment acontecer de fato, existe mesmo ameaça às políticas sociais?

Flávio Dino – Não tenho dúvidas. Primeiro, é uma questão de compreensão acerca de quais interesses estão movendo o processo de impeachment. São os interesses da elite econômica deste país, dos mais ricos, daqueles que não defendem e não concordam com as políticas de democratização do acesso ao poder, ao conhecimento e à riqueza. Se eles estão cometendo esse ato político, é claro que é para beneficiar, em primeiro lugar, seus próprios interesses, que são contraditórios em relação aos interesses da maioria do povo. É preciso que haja uma mobilização cidadã, ampla, democrática, progressista, avançada de todos, não só dos beneficiários concretos das políticas sociais, mas de todos que compreendem que para haver uma Nação verdadeira é preciso que haja igualdade de oportunidades. Igualdade de chances. Isso só é possível com política que promovam a igualdade, que combatam a desigualdade. É um trabalho gigantesco que nós vamos ter que continuar a travar, independentemente do desfecho da crise política. A luta pelas políticas sociais, por um Brasil mais justo, por um Brasil decente, continuará, evidentemente. E nós estamos nela.

JL - Do ponto de vista da mulher, da situação simbólica da mulher nesse momento de humilhação da presidente Dilma.

Flávio Dino – Acho que há, indiscutivelmente, esse componente. É impossível narrar essa página triste da história brasileira sem compreender que há também gesto agressivo, de violência simbólica, política, em relação a essa oportunidade primeira, em toda a vida institucional brasileira – desde 1500 – de uma mulher legitimamente, pelo voto popular, chegar a presidir o país. Há indiscutivelmente – e isso ficou bem evidente na votação tenebrosa na Câmara dos Deputados – esse componente preconceituoso, discriminatório. Também por isso, esse processo merece uma reflexão acerca de outras consequências porque o fascismo é um demônio que quando sai da garrafa é difícil fazer com que ele retorne. Ele costuma contaminar não só a vida política, mas também outros aspectos da vida social. Por isso, é preciso ter uma atitude democrática muito firme para que o fascismo seja combatido, vencido, como foi em outros momentos da história, e ele não acabe por gerar retrocessos muito graves na vida política e na vida social brasileira.

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