sexta-feira, 8 de julho de 2016

João Alberto alega ter 'reputação ilibada e conduta irrepreensível' para não depor diante do juiz Sérgio Moro

Por que o senador João Alberto não quer depor para Gim Argello.
Arrolado pela defesa de ex-senador preso na Lava Jato, peemedebista maranhense pediu dispensa alegando que 'manifestamente não tem nada a acrescentar'
POR MATEUS COUTINHO
JULIA AFFONSO E FAUSTO MACEDO
O Estado de São Paulo

Chamado para depor como testemunha do ex-senadro Gim Argello (PTB) na Lava Jato, o senador João Alberto de Souza (PMDB-MA), suplente na Comissão do Impeachment, pediu para ser dispensado do depoimento diante do juiz Sérgio Moro.

Ele foi chamado pela defesa do ex-senador para ser ouvido na ação em que Argello é acusado de receber ao menos R$ 5,3 milhões em propinas de empreiteiras para evitar a convocação de executivos das construtoras nas duas CPIs da Petrobrás no Congresso em 2014.

Em ofício encaminhado ao juiz da Lava Jato no dia 30 de junho, o peemedebista disse que, apesar de ter participado da CPI Mista da Petrobrás em 2014, “não tem qualquer conhecimento sobre os fatos narrados na denúncia”, ou mesmo “sobre qualquer matéria que possa ser relevante ao apreço deste juízo”. Ele alega ainda possuir “reputação ilibada e conduta irrepreensível”.

Em relação a Argello, o senador diz ainda que mantinha “apenas o relacionamento profissional necessário ao desempenho das atividades parlamentares”. A defesa de Argello, por sua vez, apontou que ele foi presidente da primeira reunião do colegiado, que elegeu o então senador e hoje ministro do TCU Vital do Rêgo (PMDB) presidente da comissão. Além disso, João Alberto também participou de outras regiões do colegiado, que concluiu os trabalhos sem convocar nenhum empresário das empreiteiras na mira da Lava Jato.

Seguindo a mesma linha do petista Paulo Paim, que também pediu dispensa, o peemedebista alega que o Senado vive um momento muito importante, com o processo do impeachment e a atual crise econômica do País, e que o seu eventual deslocamento para a Justiça Federal causará “graves prejuízos” ao exercício de sua atividade parlamentar.

“Furtar um senador da República dessas atividades imprescindíveis à condução do País para sua oitiva em processo que manifestamente não tem nada a acrescentar não é compatível com as finalidades do processo penal”, afirma o senador. Apesar dos argumentos, diante da insistência da defesa de Argello, o juiz Sérgio Moro mandou notificar João Alberto para que se manifeste sobre a melhor data para depor na Justiça, o que pode ser feito por meio de videoconferência. Procurado pela reportagem, o parlamentar informou por meio de sua assessoria que irá marcar o depoimento o quanto antes.


Confira a íntegra dos argumentos de João Alberto.




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