quarta-feira, 6 de julho de 2016

Márcio Lobão reclamou da falta de R$ 10 mil em propina de R$ 250 mil

Márcio Lobão e Edison Lobão
Márcio Lobão, filho do senador e ex-ministro Edison Lobão, teria reclamado da falta de R$ 10 mil reais em uma propina de R$ 250 mil. A revelação está em trechos da delação premiada de Flávio Gomes Machado, um dos delatores da Lava Jato, com detalhes do acerto de pagamentos de propinas a Romero Jucá e Edison Lobão, ambos do PMDB, pela retomada da Obra de Angra III.

Flávio disse que depois da viabilização do contrato para retomada das obras de Angra III foi orientado a procurar os políticos responsáveis, Romero Jucá e Edison Lobão. A propina acertada seria de 3% para o PMDB e que Lobão cuidaria da gestão. Esses 3% eram do contrato repactuado e que seria o “custo político”. Lobão informou que tinha autonomia e decisão.

Em reunião na casa de Lobão, o ministro confirmou que centralizaria as demandas de Angra III e ele mesmo faria a distribuição.

Foi dito a Lobão que impossível o pagamento de 3%, ficando estabelecido um valor menor que o solicitado. “Que era época de campanha política e lhe foi pedido um dinheiro em espécie por Lobão rapidamente por causa disso. Lobão pediu de imediato R$ 500.000,00, a ser entregue a Márcio Lobão, no primeiro prédio da Av. Atlântica, no Leme, ap. 1502, onde embaixo fica o restaurante Marius de frutos do Mar”, destaca a delação.

O depoente disse que providenciou R$ 250.000,00 para levar a Márcio Lobão. Entregou o dinheiro em caixa de camisas com uma sacola preta. Dez dias depois recebeu telefonema de Márcio Lobão para um café da manhã no mesmo apartamento.

“Na ocasião, Márcio Lobão reclamou que faltaram R$ 10.000,00 do valor acertado”, disse o depoente, acrescentando que, por esse episódio, transferiu a relação com Lobão e seu filho para Flávio Barra.

No entanto, o senador Romero Jucá mostrou-se chateado com a situação. Informou que a combinação não estava dando certo porque Lobão ficava com tudo pra ele sem repassar.

Já Flávio Barra confirmou que a Andrade Gutierrez pagou em torno de R$ 2 milhões com base nos contratos e que os repasses de propina seriam para Edison Lobão. Valores em espécie, oriundo do ‘caixa 2’ da Andrade Gutierrez, eram entregues por Márcio Coutinho.

Revelou que fazia reuniões com Lobão para tratar de repasses de propina. Lobão ligava para marcar as reuniões.




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