sábado, 9 de julho de 2016

Nada é sincero com Cunha e Temer, nem lágrimas, nem renúncia

POR FERNANDO BRITO

Ontem, antes da revelação pela manchete de O Globo, de que a renúncia de Eduardo Cunha era o resultado de um acordo com Michel Temer, tinha começado a escrever um post dizendo que nada que viesse dos dois merecia credibilidade.

São, afinal, dois personagens que escalaram a política pelo caminho da sombra e, a esta altura, não podem mais fazer nada à luz do dia.

No essencial, são semelhantes e, em muito, siameses.

A ascensão de Cunha, do anonimato à liderança do PMDB e, daí, à presidência da Câmara, deu-se sob as bênçãos de Temer, presidente do PMDB.

A ascensão de Temer, em compensação, foi patrocinada e operada por Eduardo Cunha, aboletado sobre o poleiro sujo do comando da Casa.

Embora, hoje, as curvas dos dois sigam tendências inversas, não desapareceram os liames que os unem.

Cunha, o “foguete” de 2015 – enquanto Temer era o “vice decorativo”, sua autodefinição – está em inevitável queda.

Temer, o novo velho da política brasileira, prepara-se para subir ao pódio presidencial sem ter disputado a prova.

Mas segue o dilema.

Cunha quer que Temer faça por ele; Temer assusta-se com o que Cunha pode fazer com ele.

Engana-se quem acreditar que Temer precisa de Cunha para definir quem presidirá a Câmara, disputa na qual a influência de Cunha tornou-se, na prática, minúscula.

Cunha é o rei morto, Temer, o rei posto.

O que há é um claro – embora jamais verbalizado em público – é um jogo de chantagens e dissimulações, um verdadeiro xadrez, como tem sido a feliz expressão do Luís Nassif.

O tabuleiro sobre a mesa é nada, os pisões, chutes e pontapés abaixo dela são quase tudo.

E o jogo jogado é o da traição. Neste, Temer é um craque e Cunha, mais cedo ou mais tarde, o desafiante.

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