quarta-feira, 13 de julho de 2016

Rodrigo Maia e Rosso disputam segundo turno na eleição da Câmara

Do UOL, em Brasília

A eleição para a presidência da Câmara será decidida em 2º turno entre os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Rogério Rosso (PSD-DF). Maia teve 120 votos, contra 106 de Rosso. O terceiro colocado foi o ex-ministro Marcelo Castro (PMDB-PI), com 70 votos.

A segunda votação deverá ser realizada nas próximas horas, após nenhum dos 13 candidatos ter conseguido, na noite desta quarta-feira (13), reunir os 257 votos para conquistar o cargo em 1º turno.

Em quarto lugar, ficou Giacobo (PR-PR), com 59 votos, seguido por Esperidião Amin (PP-SC), com 36; Luiza Erundina (PSOL-SP), com 22; Orlando Silva (PCdoB-SP), com 16; Fábio Ramalho (PMDB-MG), com 18; Cristiane Brasil (PTB-RJ), com 13; Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO), com 13; Carlos Manato (SD-ES), com 10; Miro Teixeira (Rede-RJ), com 6; e Evair Vieira de Melo (PV-ES), com 5. 494 deputados marcaram presença na sessão.

A votação ocorreu após cerca de 2h30 de discursos. Apontado como favorito, Rosso prometeu estabilidade na gestão e tocar os projetos do governo Temer. Ele também disse que a eleição precisa ter o significado de "renovação".

Maia, candidato apoiado pela antiga oposição à presidente Dilma, citou Michel Temer ao elogiar antigos presidentes da Câmara. O deputado do DEM também reconheceu o momento de "crise política" e prometeu respeitar as minorias parlamentares.

Já Marcelo Castro, candidato oficial do PMDB, disse que "sempre teve lado" e discursou em defesa da prerrogativa dos deputados, como o pagamento de emendas parlamentares, dinheiro do Orçamento destinado a projetos indicados pelos deputados.

Em discurso que destoou dos demais pela informalidade, Carlos Manato (SD-ES) iniciou sua fala rasgando o discurso escrito, segundo ele, por seus assessores. "Me desculpa, mas o que vocês escreveram aqui é a mesmice, a mesma coisa que os outros já disseram", disse, ao rasgar a papelada em plenário. Manato afirmou que o processo eleitoral é distorcido. "Eu não ouvi ninguém dizendo aqui que quer trabalhar mais", disse.

Os dois únicos candidatos, entre os 13 deputados na disputa, que representam partidos de oposição ao governo interino, Luiza Erundina (PSOL-SP) e Orlando Silva (PCdoB-SP), fizeram críticas ao processo de impeachment e ao deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Erundina usou o bordão "fora, Cunha" durante o discurso e afirmou que iria promover pautas de cunho social, como reforma agrária, tributária e urbana.

A eleição dividiu a base do presidente interino, Michel Temer, com diversas candidaturas de partidos governistas.

Quem é Rogério Rosso
Rosso é da base de Temer e foi apontado como favorito entre os candidatos do chamado centrão, grupo de 13 partidos que apoiam Temer e reforçaram seu peso político durante a gestão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara.

O deputado, líder do PSD, fez campanha pregando a "independência do Legislativo", discurso parecido ao utilizado por Cunha na eleição que o levou ao cargo, em 2015.

Politicamente, Rosso já se definiu em entrevista como "de centro, pro lado direito", e tem rebatido afirmações de que seria aliado de Cunha, com quem diz ter mantido apenas uma relação "respeitosa".

Ele tem evitado opinar sobre o processo de cassação de Cunha –"vamos aguardar o parecer do conselho"--, mas enfrenta outros temas polêmicos, como o Estatuto da Família, que diz apoiar.

O deputado, que já foi filiado ao PMDB, está em seu segundo mandato na Câmara (o primeiro foi em 2011, quando assumiu como suplente) e presidiu a comissão especial que analisou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Quando o caso foi a plenário, Rosso foi um dos 367 deputados que votaram pela abertura de processo no Senado contra Dilma.

Em 2010 Rosso foi escolhido governador do DF em eleição indireta entre os deputados distritais do DF, após a crise que tirou do cargo o então governador José Roberto Arruda (ex-DEM), investigado num escândalo de corrupção.

Quem é Rodrigo Maia
Apesar de ter se apresentado como fiel ao governo Temer, Maia fez sua campanha buscando votos de partidos da antiga base da presidente afastada, Dilma Rousseff. Como argumento, usava sua contraposição ao chamado centrão, bloco também da base governista mas apontado como próximo do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que sofre um processo de cassação.

Como a votação foi secreta, é difícil precisar o apoio conquistado por Maia junto aos partidos da base de Dilma. Também pode ter favorecido o deputado o apoio do Planalto para levar ele e Rosso ao segundo turno, preterindo o candidato do PMDB, Marcelo Castro (PI), tratado como oposicionista. Na votação do impeachment, Castro contrariou o partido e votou a favor de Dilma.

O deputado chegou a ser cotado para ocupar a função de líder do governo Temer na Câmara, cargo importante por representar a orientação do Planalto nas votações. No entanto, Maia acabou preterido e o escolhido para ser líder de Temer foi André Moura (PSC-SE), aliado de Cunha e expoente do centrão.
Filho do ex-prefeito do Rio Cesar Maia, o deputado do DEM está em seu quinto mandato na Câmara. A mulher de Rodrigo Maia, Patrícia Vasconcelos, é enteada de Moreira Franco, uma das principais lideranças do PMDB e atualmente secretário executivo do Programa de Parcerias e Investimentos do governo interino.

Mandato-tampão
O escolhido vai comandar a Câmara até 1º de fevereiro do próximo ano, quando ocorre a eleição para a chefia da Câmara para o biênio 2017/2018. O mandato será curto, de seis meses já que na próxima semana o Congresso Nacional entre no chamado recesso branco e só retoma as atividades em agosto.

Apesar disso o futuro presidente terá desafios a enfrentar, como o processo de cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e a tramitação de propostas impopulares de interesse do governo do presidente interino.

O chefe da Câmara também será o sucessor imediato de Temer caso ele seja confirmado na Presidência da República no lugar de Dilma Rousseff. Caberá ao novo presidente assumir o comando do país quando Temer viajar ao exterior, por exemplo.

Como benefícios do cargo, o presidente da Câmara terá direito a residência e carro oficiais, equipe de segurança, gabinete exclusivo e voos em jatos da FAB (Força Aérea Brasileira).

A eleição foi precipitada pela renúncia de Eduardo Cunha ao cargo, na última quinta-feira (7), dois meses após ser afastado do exercício do mandato, e, portanto, do cargo, pelo STF (Supremo Tribunal Federal), por suspeitas de que usava o cargo para interferir nas investigações contra ele.

Atualmente, Cunha enfrenta um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara e diversas investigações no STF por suspeitas de participação em esquemas de corrupção. O deputado nega irregularidades e diz que vai provar sua inocência

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