segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Executivo que se suicidou depois de matar mulher e filhos disse, em carta, que era 'melhor acabar com tudo logo'

Polícia fará perícia para atestar se texto foi escrito por suspeito de ter se matado depois de assassinar a mulher e os filhos em condomínio de luxo na Barra da Tijuca
Constança Rezende e Nathalia Larghi
O Estado de S.Paulo

RIO - A polícia encontrou uma carta no apartamento do executivo Nabor Coutinho de Oliveira Júnior, de 43 anos, suspeito de ter se matado depois de assassinar a mulher e os filhos. No documento, Nabor relata problemas de ordem profissional e o temor de não conseguir sustentar a família. O titular da Divisão de Homicídios, Fábio Cardoso, vai pedir perícia grafotécnica na carta para atestar a autoria do texto.

"Sinto um desgasto (sic) profundo por ter falhado com tanta força, por deixar todos na mão. Mas melhor acabar com tudo logo e evitar o sofrimento de todos. E, nos últimos dias, passei a ser menos envolvido ou copiado nos e-mails dos projetos que estão rolando. Pode ser cisma minha, mas parece que é um sinal de que não me querem mais lá", escreveu.

Ex-diretor da TIM, Nabor havia se demitido da companhia telefônica em julho e estava abrindo nova empresa. Ele escreve sobre a "decisão arriscada" de iniciar novo negócio.

"Está claro para mim que está insustentável e não vou conseguir levar adiante. Não vamos ter mais renda e não vou ter como sustentar a família. E da forma como tudo ocorreu sei que meu nome vai ficar queimado no mercado."

Ele escreveu também que a família está sem cobertura de plano de saúde e se refere ao histórico médico da mulher e do filho caçula, sem entrar em detalhes.

"Ainda não conseguimos contratar um novo plano de saúde porque estava aguardando a criação do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica). Agora que saiu, está com o Bradesco para avaliar o preço. Com o histórico médico da Laís e do Arthur, será que aprovam? Será que não vai ficar super caro?"

A polícia acredita que Nabor tenha matado a mulher a facadas. Laís Khouri, de 48 anos, foi encontrada na cama do casal, com ferimentos no pescoço. Em seguida, ele teria jogado os filhos, Henrique Khoury de Oliveira, de 10, e Arthur Kohury de Oliveira, de 6, e pulado do 18º andar do prédio Lagoa Azul, no condomínio de luxo Pedra de Itaúna, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

No apartamento da família, os policiais acharam faca e martelo, ambos ensanguentados. A Divisão de Homicídios vai investigar se o homem golpeou os filhos com a ferramenta antes de jogá-los da janela. A tela da varanda estava cortada.

"Estamos trabalhando com todas as hipóteses. Já apuramos que Oliveira não tinha nenhum antecedente criminal, e os vizinhos relataram que ele era uma pessoa tranquila", afirmou o delegado Fabio Cardoso.

Nabor trabalhou na TIM por 18 anos. Até julho deste ano, ele era gerente de marketing sênior de Serviços Inovadores da empresa. Segundo a assessoria de imprensa da telefônica, seu desligamento foi por conta própria. Ele estava abrindo uma startup (empresa iniciante de tecnologia).

De acordo com as informações em seu perfil no Facebook, Nabor estudou engenharia de software na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Gestão de Negócios no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec). Seu gosto musical ia de Carlos Malta a Gabriel, o Pensador. Ele admirava esportistas como os tenistas Guga Keurten e Fernando Meligeni, e os jogadores de basquete Oscar Schmidt, Magic Paula e Hortência Marcari.

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