terça-feira, 9 de agosto de 2016

Flávio Dino diz que candidatos da base aliada deverão vencer na maioria dos 217 municípios; ele defende o melhor para cada cidade

"Eu, como militante político, vou respeitar os acordos que meu partido fez. Em São Luís eu deixei claro que o PCdoB seguiria seu caminho, mas eu estava preso a um compromisso com a deputada Eliziane e iria cumprir este compromisso. Em outras cidades vamos seguir nosso partido", disse o governador.
Do blog do  Raimundo Garrone

Em entrevista exclusiva ao blog, o governador Flávio Dino fala sobre sua participação nas eleições de outubro próximo e avisa que os candidatos de sua base aliada deverão vencer na maioria dos 217 municípios maranhenses.

Sobre Pinheiro e Barreirinhas, onde na noite de sexta-feira (5), data limite para as convenções partidárias, houve quebra de acordos, Dino lamentou que fatos estranhos tenham ocorrido na “Princesa da Baixada”, e na cidade pólo dos Lençóis, onde o PC do B terá que lançar candidatos sem o apoio do PP e PDT, como anunciado anteriormente.

Em Pinheiro, Luciano Genésio, preferiu acompanhar a estratégia divisória que favorece o prefeito Filuca Mendes (PMDB). Em Barreirinhas, o prefeito Léo Costa não cumpriu um acordo de 2012, quando recebeu o apoio do PC do B, para retribui-lo em 2016.

Flávio Dino avisou que vai participar das eleições municipais como cidadão, sem, no entanto, envolver o governo.

Pergunta – O senhor falou na última entrevista que tivemos sobre a base aliada, que seria Edivaldo, Bira e Eliziane, o que deixava claro que Wellington do Curso não faria parte desta base. Com a ida do PSB de Roberto Rocha para a candidatura do PP, muda alguma coisa neste quadro?

Flávio Dino – A questão diz mais respeito ao perfil de cada candidato. Os candidatos que identificamos mais com a nossa trajetória, que temos compromissos programáticos, que têm defendido o governo são o prefeito Edivaldo e Eliziane. O que não quer dizer que não temos relações políticas com outros candidatos. Mantemos relações com Wellington e Eduardo Braide, que são deputados estaduais e apoiam o governo. Em relação a estes outros nomes não há posição de considerar como adversário. Mas a relação partidária e histórica, obviamente é mais forte com Edivaldo e Eliziane.

E caso chegue a um segundo turno Wellington ou Eduardo Braide, o governo manterá o compromisso de distanciamento?

Flávio Dino – Na verdade este compromisso de equidistância e neutralidade se refere a Edivaldo e Eliziane. Nos outros casos hipotéticos teríamos que analisar diante de uma situação concreta que não me parece provável.  Eu tenho uma leitura política que o mais provável é que tenhamos um segundo turno entre o prefeito Edivaldo e a deputada Eliziane. Sendo assim, o mais provável, está mantido o compromisso.

No caso de Pinheiro, o que aconteceu com o acordo que estava feito pela aliança entre PP e PCdoB?

Flávio Dino – É um mistério pra mim. Fizemos um acordo aprovado por todos os partidos que compõem a coligação e um destes partidos, no caso o PP, mudou de posição. Não houve uma explicação. Procuramos diálogo nos últimos dias para entender a razão. Não foi dada uma explicação lógica, até porque temos alianças em vários municípios. O resultado disso é que, infelizmente, não houve a união que desejávamos e hoje temos um candidato lá em Pinheiro que é o meu candidato, o candidato Leonardo [Sá].

O senhor imagina que tenha tido alguma interferência para o rompimento acontecer logo após a aliança do PP em São Luís com o PSB?

Flávio Dino – Pode ser que tenha tido um acordo dessa natureza, mas não fomos comunicados. Fomos surpreendidos por esta posição em Pinheiro. Sempre entendemos que São Luís estava fora do acordo com outros municípios, valendo para o PP e outros partidos. Não houve explicação e o resultado é este. Teremos três candidaturas e espero que o Leonardo seja o vencedor.

No caso de Barreirinhas, quando houve uma intervenção do PDT para que o prefeito Leo Costa não fosse candidato e ele conseguiu uma liminar na Justiça para ser candidato?

Flávio Dino – Não sei como ficará esta situação na Justiça. Não sei como foram os procedimentos internos do PDT. O partido adotou uma intervenção visando cumprir um acordo de 2012. Foi feito um acordo na minha presença que o prefeito Leo não seria candidato à reeleição e apoiaria outro candidato. Este acordo propiciou a grande união em torno do Leo que propiciou sua vitória na eleição em 2012.  Teremos uma disputa interna no PDT e vamos acompanhar. De qualquer forma, estarei no palanque do candidato Amilcar [Rocha].

Em Imperatriz também está bem definido?

Flávio Dino – A candidata que tem nosso apoio, nosso entusiasmo é a candidata Rosângela Curado. Faço questão de sempre frisar que o governo não se mete em eleição, o governador sim. Comparecerei aos eventos políticos nos finais de semana. E os secretários também estão livres para participar de acordo com suas posições partidárias. Não vamos determinar que nenhum tome posição A, B ou C. Primeiro porque a maioria não tem filiação partidária, então são livres. E os que têm filiação, cada um segue a orientação do seu partido. Eu, como militante político, vou respeitar os acordos que meu partido fez. Em São Luís eu deixei claro que o PCdoB seguiria seu caminho, mas eu estava preso a um compromisso com a deputada Eliziane e iria cumprir este compromisso. Em outras cidades vamos seguir nosso partido.
 
Em Bacabal o PCdoB está com Zé Vieira. O senhor irá com ele na cidade?

Flávio Dino – Sim. Claro. O deputado Zé Vieira nos apoiou em 2014 e foi muito importante para nossa vitória na ocasião.  Ele representa um conjunto de forças em Bacabal que estiveram comigo em 2014. Eu não deixo aliado na beira do caminho. Como ele me ajudou em 2014, eu estarei em evento dele em Bacabal.

Coroatá em um município símbolo onde a família Murad manda e quer se manter no poder. Como será sua posição na cidade?

Flávio Dino – Eu estarei presente na campanha. Ajudei na coalizão ampla em torno do nome do Luis [do Amovelar Filho]. E ao mesmo tempo é um gesto para o PT, que tem se aproximado do nosso campo de alianças, e temos apoiado o PT em algumas cidades para que ele se incorpore mais firmemente entre as forças que apoiam o governo.

E em Paço do Lumiar, onde o atual prefeito é do PSDB com vice do PDT, mas o senhor irá poiar Domingos Dutra (PCdoB)?

Flávio Dino – Eu sempre deixei claro que o Dutra não era propriamente do PCdoB, o Dutra é suprapartidário. Ele é uma personalidade da luta democrática e popular do Maranhão há muitas décadas. Portanto, ele tem autoridade para reivindicar o apoio de todos. Afirmei aos dirigentes de PSDB e PDT que não vai haver hostilidade ao Josemar. Mas estive na convenção do Dutra, porque acho que ele é a melhor pessoa para dirigir a cidade.

Eu vou adotar um critério que não é o da Raposa política. Este conceito está vencido no tempo. Acho que é preciso ter clareza, posições nítidas. Muita gente diz que em relação ao impeachment “pagou o preço”. Não importa. Eu prefiro seguir em paz com minha consciência. Do mesmo modo em relação às eleições municipais, eu não vou me recusar a tomar posição em nenhum município e vou levar em consideração meus compromissos de 2014.

Nós valorizamos muito quem esteve conosco na hora de dificuldade. Isto não quer dizer que não incorporamos novos atores, claro que incorporamos. Mas, jamais atropelamos nossos aliados de ontem. Exemplo claro: prefeito que não nos apoiou em 2014 e pretende se filiar ao PCdoB. Ele pode receber nosso apoio desde que nossos apoiadores no município concordem. Eles têm que ser partícipes deste acordo. Não passaremos por cima de quem nos apoiou. A partir deste parâmetro, para ganhar ou para perder.

Eu não tenho a preocupação de dizerem que eu fui ao palanque tal e o candidato perdeu. A grande vitória é ser coerente. Vitória número dois é defender aquilo que eu considero melhor em cada cidade. E vitória número três é ganhar na maioria das cidades. E nossos candidatos vencerão na maioria das cidades.

Muito se fala que os movimentos do senador Roberto Rocha são para ser candidato a governador em 2018. Seria este o cenário?

Flávio Dino – Na nossa cultura política é normal que todo mundo busque o melhor posicionamento para a eleição seguinte. A eleição no Brasil tem um intervalo muito curto. De modo que uma eleição sempre está engatada a outra.     Acho isso nocivo porque atrapalha a gestão pública em larga medida. No atual sistema, acaba acontecendo isso. Uma eleição cai dentro da outra com muita velocidade. 

O fato dos vários seguimentos se movimentarem para fortalecer   2018 é normal e não prenuncia nenhuma tendência. Só vamos ter um quadro mais claro no final de 2017 por várias razões. Uma delas é a política nacional. Cada vez mais os partidos são nacionais e as definições locais dependem da nacional. E hoje reina a escuridão sobre isso. É um exercício improdutivo de futurologia imaginar que A, B ou C são candidatos. Mas é justo e legítimo que cada um que faz parte do jogo eleitoral busque se fortalecer.

Acho justo que o senador Roberto Rocha, o vice-governador Carlos Brandão, o deputado Weverton Rocha, o deputado Waldir Maranhão, o PT, o PCdoB busquem se fortalecer. É natural que a eleição municipal seja uma medição de forças de todos estes seguimentos. Concluída a eleição municipal, com mais um ano de nosso governo, com um quadro mais nítido do cenário nacional, poderemos prognosticar o que vai acontecer em 2018.

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