quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Braide: Com o rei na barriga, perdendo a pose

O ex-deputado Carlos Braide, pai de Eduardo Braide, é acusado de comandar
a "Máfia de Anajatuba"
Por Raimundo Garrone

A máscara começa a cair. Aos poucos, a imagem de bom moço do candidato Eduardo Braide (PMN) se desfaz. Com a chance dada pelo eleitor ao candidato do nanico PMN, de ir ao segundo turno, começou a aparecer também o verdadeiro Eduardo Braide.

O jovem gentil virou um candidato autoritário que não aceita críticas e chega ameaçar com processos os que dele discordam. Que o digam os médicos de São Luís, que tiveram que ouvir no evento promovido pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) que “se todos agissem como ele, não haveria mais blogueiros em São Luís”.

Antes fosse esse o pior erro de Braide. O candidato que justifica que não é racista porque “até foi criado por uma mulher negra” é também o deputado que recebe R$3mil por mês de auxílio moradia, mesmo tendo dois apartamentos de luxo em São Luís. O candidato que se vangloria de não ter aliança com nenhum partido político, ignorando que política se faz dialogando e buscando o consenso, na verdade pediu o apoio do grupo Sarney e da própria ex-governadora Roseana – conforme discurso de Adriano Sarney, neto do patriarca, na tribuna da Assembleia Legislativa.

Novamente, antes fossem esses os piores erros de Braide. A família do deputado estadual e candidato à Prefeitura de São Luís Eduardo Braide é suspeita de envolvimento com agiotagem e já foi denunciada pelo Ministério Público do Maranhão por envolvimento em esquema de corrupção na cidade de Anajatuba.  Fabiano Bezerra, apontado pela investigação como um dos chefes das empresas fantasmas que recebiam dinheiro público, era assessor do gabinete de Eduardo Braide e havia recebido, naquele ano, mais de R$ 70 mil em emendas parlamentares do gabinete do deputado.

O ex-deputado Carlos Braide, pai de Eduardo Braide, foi apontado como um dos chefes do esquema e chegou a ter a prisão pedida ao Tribunal de Justiça do Maranhão. Braide se elegeu deputado estadual com o apoio do então prefeito de Anajatuba, Hélder Aragão, posteriormente preso na operação Attalea, da Polícia Federal.

O candidato do nanico PMN alega ter dez anos de vida pública, mas nada tem a mostrar de investimento efetivo para a cidade que quer governar. Estudos das universidades federal e estadual do Maranhão já mostravam a poluição das praias em São Luís em 2005, período em que o candidato ocupava a presidência da Caema. Enquanto secretário de Orçamento Participativo do município, não deixou um projeto que marcasse sua passagem pela gestão do ex-prefeito João Castelo.


Tudo indica que a chance dada de boa vontade pelo eleitor subiu à cabeça de Braide, fazendo-o pensar que a condescendência do eleitor é eterna. Mas a população vai percebendo que o candidato que se auto-intitulava “novo” e “não-político”, tem, na verdade, a pior das caras da velha política.

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