sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Conversa telefônica revela que membro da máfia de Anajatuba pedia votos para Braide

Fabiano, acusado de fazer parte de uma organização criminosa montada para desviar recursos públicos, pedia votos para Eduardo Braide, a quem identificava como sendo filho do seu sócio

Por Raimundo Garrone

Relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Procuradoria-Geral do Estado revela que o empresário Fabiano de Carvalho Bezerra, preso pela Polícia Federal e acusado de operar um esquema que desviou mais de R$ 30 milhões dos cofres públicos, pediu voto para Eduardo Braide, filho do seu sócio, o ex-deputado Carlos Braide, quando disputava a reeleição para deputado estadual em 2014.

Além da sociedade com Carlos Braide, Fabiano também possuía estreitas relações com o filho, Eduardo Braide, que o nomeou como assessor símbolo Isolado, um dos maiores salários da Assembleia Legislativa.

Em conversa telefônica gravada pela Gaeco, com autorização da Justiça, no dia 5 de outubro, mesmo dia das eleições de 2014, Fabiano Bezerra telefona para Natascha Lesch, também apontada como participante do esquema conhecido como Máfia de Anajatuba , pedindo voto para Braide, chegando mesmo a repetir, algarismo por algarismo, que formavam o número do seu candidato, 33123, até conseguir ensiná-la.

Fabiano: É… vote no estadual: três, três, um, dois, três, viu?
Natascha: Estadual um, dois, três?
Fabiano: Não! Três, três , um, dois, três.
Em seguida, ainda na dúvida, Natascha pergunta que é esse deputado que ele quer que ela vote, no que Fabiano prontamente responde ser Eduardo Braide, o filho do seu sócio, Carlos Braide, quando só a convence.
Natascha: Hummm… Quem é esse ?
Fabiano: É Eduardo Braide, meu deputado!
Natascha: Eduardo Braide. Só que… é o que tá… Ah  é que tá {Não compreendido}.
Fabiano: É… não, não, é o filho do meu sócio! Eduardo Braide é: três, três, um, dois, três.
Natascha: Ah, sim.

Ao serem abertas as urnas, Eduardo Braide foi eleito deputado estadual com 47.519 mil votos.


A organização criminosa, que ficou conhecida como Máfia de Anajatuba foi acusada de desviar recursos públicos das prefeituras de Anajatuba, Trizidela do Vale, Tuntum, Itapecuru Mirim, Codó, Alcântara, Parnarama e Mirinzal por meio de montagem de licitações fraudulentas.

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