domingo, 23 de outubro de 2016

Máfia de Anajatuba: Braide e dono da Escutec tentaram calar ex-assessor que ameaçava delatar esquema de agiotagem nas prefeituras


Por Leandro Miranda
Blog Marrapá

Transcrições de conversas obtidas com exclusividade pelo Blog Marrapá mostram a intimidade e o grau de cumplicidade entre os empresários Fabiano Bezerra, Fernando Júnior (Escutec) e o ex-deputado Carlos Braide, pai do candidato a prefeito, Eduardo Braide (PMN). Os três comandavam uma máfia especializada em agiotagem e fraudes em licitações de Prefeituras no Maranhão.

Através de escutas, o Grupo de Atuação Especial de Combate as Organizações Criminosas do Ministério Público – Gaeco monitorou o trio suspeito de desviar mais de R$ 13 milhões do município de Anajatuba. A Polícia Federal acredita que a quadrilha pode ter atuado em mais de 30 municípios do Estado.

Durante o processo de coleta de depoimentos, o empresário Fabiano Bezerra, ex-assessor de Eduardo Braide e dono da FCB Produções entrou em contato com o também empresário Fernando Júnior, dono da Escutec, no dia 03/11/14, para falar sobre sua oitiva no MP. Apavorado e com medo de ser preso, ele ameaçou o comparsa e todos os demais envolvidos no esquema como o ex-prefeito de Anajatuba, Helder Aragão, e o ex-deputado Carlos Braide.

Fabiano – Eu vou falar tudo, tudo!
Fernando – Tá bom!
Fabiano- Quem recebeu dinheiro, centavo por centavo,  os contratos que a empresa tem, a que não tem, vou falar tudo!
Fernando – Tá bom,  tá bom!
Fabiano – Já mandei meu advogados lá.
Fernando – Isso! Tu teve com o Pedro?
Fabiano – Pra marcarem a entrevista ai eu vou lá amanhã?
Fernando – Tu teve com o Pedro lá , não?
Fabiano – Não, eu só liguei pra Pedro , eu vou lá agora, onde Pedro 4 horas, vou falar, “Pedro é o seguinte ó eu vou lá e vou falar tudo”.
Fernando – Tá bom, tá bom, tá bom, tá bom, Fabiano eu entendi, entendi! É o que você deve fazer mesmo.
Fabiano – Foda-se todo mundo.
Fernando – “tá” , “tá”, “tá”!
Fabiano – Eu quero que todo mundo se “foda” , eu não tó nem aí não.
Fernando – Tá bom meu irmão, você tá onde?

Segundo o Ministério Público, Fabiano se refere a Fernando como “chefe”, e sua intenção era de delatar quem ganhou dinheiro, prefeitos, contratos e etc. Para o Gaeco, “está claro nesse diálogo o tom ameaçador de Fabiano para com Fernando, referindo-se à organização criminosa objeto desta investigação”.

No dia seguinte, Fernando entra em contato com Carlos Braide e explica a necessidade de controlar Fabiano, sobe o risco de todos serem delatados no esquema. A gravação mostra o temor da dupla com o desabafo de Fabiano.

Fernando – Eu quero saber o seguinte: Nosso problema agora é controlar o Fabiano.
Braide – Sim, depois que o Fabiano souber “negão”.
Fernando – Sim, mais ele vai vim para saber, ai… o advogado dele acabou de me dizer que acha que ele vem, Matilde está lá no cola dele.

O empresário Fernando da Escutec, também entra em contato com o advogado identificado como Severino e comenta sua preocupação com o depoimento de funcionários ligados a empresa de Fabiano, FCB Produções, suspeita de emitir notas frias para fraudar as licitações com as prefeituras do interior.

A Polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Fabiano Bezerra e Fernando Júnior cerca de 20 dias depois (04/12/2014). Quando o advogado Severino liga para seu cliente, Fernando, perguntando se ele já havia feito uma “limpeza” no material apreendido como computadores e HD.


Fabiano e Fernando acabaram sendo presos quase um ano depois, junto com o ex-prefeito de Anajatuba, Helder Aragão. O pai do candidato Eduardo Braide, Carlos Braide, teve a prisão preventiva negada pelo desembargador Tyrone José Silva, do Tribunal de Justiça, mas o promotor da Gaeco, Marco Aurélio Rodrigues, na época, declarou “é bandido e vai ser preso. A gente tá cansado de ver o povo sem Saúde e Educação”.

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