terça-feira, 8 de novembro de 2016

A Justiça e o dilema da família Sarney


do Jornal Pequeno

Um dilema se ergue sobre os Sarneys: o enfrentamento de processos na Justiça que surgem contra familiares, parentes e amigos. O dilema é enfrentar essas ações em situação adversa; um problema para um grupo que se acostumou, sob a tutela do tráfico de influência, a vencer quase todas as questões judicializadas em torno de seus atos, fosse no juizado singular, na segunda ou na terceira instâncias.

No caso da Lava Jato, por exemplo, são citados por delatores o ex-presidente José Sarney e o ex-ministro Edison Lobão, acusados de receber milhões em propina da Transpetro. Na mira do Ministério Público Federal (MPF) está o ex-secretário de Saúde Ricardo Murad, num processo que apura desvio milionário.

Integrantes do grupo parecem, também, sob acusação de negociar precatório da UTC Constran, que também teria sido custeado por propina entregue por Alberto Youssef a emissários do governo Roseana Sarney. E, por último, vem à tona esse rumoroso caso da Secretaria de Estado da Fazenda, que alcança, além da ex-governadora e do ex-secretário Trinchão, outras nove pessoas.

A Justiça age de modo diferente do passado. Deputados, senadores, ex-governadores, milionários e bilionários estão, de fato, indo parar na cadeia. E, o que é pior, o Supremo Tribunal Federal (STF) revê todas as suas teses, garantindo a possibilidade de prisão a condenados em segunda instância. E ainda, pelo que se está percebendo, o foro privilegiado, que nenhum deles tem mais, não sobreviverá neste país.

É, de fato, uma situação incômoda para os Sarney, que, naturalmente, reagem como podem; até insinuando, no caso específico desse escândalo da Sefaz, que a mão pesada do Estado, como um todo, estaria sendo usada para evitar um suposto crescimento eleitoral da ex-governadora Roseana Sarney, “já devidamente detectado em monitoramentos feitos pelo Palácio dos Leões”; uma tese, convenhamos, que não se sustenta na realidade observada hoje no Maranhão.


Finalmente, como tanto os catedráticos e literatos apreciam as frases feitas, talvez seja o caso de citar, aqui, o que foi expresso por Diderot: “Tudo se destrói de uma forma para se reconstruir depois de uma forma diferente”. 

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