terça-feira, 8 de novembro de 2016

Máfia da Sefaz: promotor diz que criminosos, com medo e com apoio de uma mídia mercenária, tentam desqualificar o MP e o Judiciário; ouça a entrevista

Na manhã desta terça-feira (8), o promotor Paulo Ramos, titular da 2º Promotoria de Justiça de Defesa da ordem Tributária e Econômica de São Luís, que comanda as investigações das ações da organização criminosa que agia na Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), durante o governo de Roseana Sarney, concedeu entrevista ao programa “Comando da Manhã”, na Rádio Timbira. Ele voltou a reafirmar que os trabalhos de investigação da organização criminosa avançam de forma mais intensa com o apoio de uma força-tarefa composta por diversos promotores. Outras denúncias, ainda mais pesadas, devem ser reveladas brevemente.

Durante mais de uma hora de entrevista, Paulo Ramos destacou as providência que o Ministério Público tem tomado para fazer com que essas pessoas que lesaram o erário público, de forma muito violenta, sejam punidas.

“Foram milhões desviados que poderiam ter sido aplicados adequadamente na saúde, educação e infraestrutura, mas serviram para alimentar os bolsos desses larápios que desviaram dinheiro público. Recursos também para alimentar campanhas eleitorais”, disse.

Paulo Ramos destacou que o jornalista que mais o ataca foi o primeiro a denunciar, no início de 2014, que Trinchão e Roseana faziam parte de uma organização criminosa para desviar dinheiro público.

“Fico realmente surpreso que essas pessoas, alinhadas ao império político, se disponham – já que são mercenários – a atacar o MP e o Poder Judiciário, que são instituições absolutamente independentes e responsáveis. Não fomos nós que inventamos esses personagens, não fomos nós que praticamos crimes. Os crimes foram praticados por essas pessoas denunciadas. Se não tivessem praticado crimes, não existiriam denúncias e não teriam se tornado réus”, acrescentou o promotor.

Para ele, um setor mercenário da imprensa quer desmoralizar as instituições em um Estado absolutamente provinciano, em que a República ainda não se impôs. “Há uma resistência de implantarmos no Maranhão um espaço em que o poder público sirva ao interesse público, que o dinheiro público seja aplicado corretamente. Essas pessoas do passado resistem, são dissimuladas, são falsas”, desabafa.

Àqueles que tentam desqualificar o trabalho do MP, o promotor diz que passou quase um ano coletando o material que dá sustentação às denúncias, com mais de 4 mil documentos, obtidos junto a órgãos e instituições. Segundo ele, foi a primeira vez que as instituições entraram em sintonia no sentido de combater a maior rede de corrupção já instalada no Maranhão, tendo como local estratégico de drenar os recursos públicos a Secretaria da Fazenda.

“Se a denúncia fosse ridícula, ela não seria aceita e eles não estariam tão incomodados. Eles sabem que a denúncia tem fundamento. Ela está assentada em mais de 4 mil documentos. Eles criaram o esquema criminoso e, agora, não querem pagar por terem cometido crimes. O que a sociedade espera de um promotor? Que ele verifique que um crime foi cometido dessa ordem e arquive, ignore, desconsidere, só porque A, B, C ou D praticou esse delito? Se praticaram delitos devem ser denunciados e punidos, após o devido processo legal”, pontuou o promotor.

Paulo Ramos diz, ainda, que, se os denunciados têm convicção que não praticaram crimes devem comprovar isso no Judiciário e não no âmbito da imprensa, da mídia.  

“O promotor denunciou, o judiciário aceitou a denúncia e, agora, vai haver a instrução desses processos, onde as pessoas terão direito à ampla defesa e ao contraditório. Ao final, haverá uma sentença que reconhecerá oficialmente se eles praticaram ou não o crime”, disse.

Confira a íntegra da entrevista com o promotor Paulo Ramos.

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