terça-feira, 1 de novembro de 2016

Nova lei eleitoral reduziu caixa dois, diz idealizador da Ficha Limpa

Carlos Madeiro
Colaboração para o UOL, em Maceió 

O advogado Márlon Reis
O advogado eleitoral e idealizador da Lei da Ficha Limpa, Márlon Reis, afirmou nesta segunda-feira (31) que os gastos não declarados em prestações de contas dos candidatos, o conhecido "caixa doi"s, foi reduzido em 2016 com a nova legislação --que vetou a doação de empresas a candidatos e partidos.

Para ele, a maior vigilância de órgãos de fiscalização e do próprio eleitor causou receio a candidatos e partidos.

"Afirmo que houve queda baseado na observação da realidade. Houve uma evidente redução dos valores disponíveis --o que fez também baixar a intensidade das campanhas. Se o caixa dois estivesse sem controle, atingindo níveis alarmantes, nós veríamos campanhas opulentas, e prestações de contas revelando movimentações financeiras baixas, e não ocorreu isso", disse à reportagem do UOL.

Reis afirma que o modelo experimental adotado nas eleições de 2016 foi deve ser comemorado, mas assegurou que a mudança de patamar para eleições livre de corrupção eleitoral ainda necessidade de tempo.

"Não podemos achar que a cultura política muda de uma hora para outra. Porém, esse passo [de proibir doações de empresas] foi importante. Precisamos de eleições mais modestas; e isso nós tivemos, foi possível testemunhar Brasil afora. Erros existiram, claro, mas as campanhas foram modestas, e isso não é um valor que merece não só ser ser comemorado, como aprofundado", disse.

Sobre a compra de votos por candidatos, o advogado afirma que não acredita em aumento, ou redução nessa eleição. Para Reis, com a nova lei, os casos foram mais percebidos e denunciados.


"As classes suscetíveis a essa prática se submetem a esse tipo de outorga do voto independente do sistema. A compra sempre ocorreu em níveis alarmantes. Só que a prática era pouco observada porque ficava obscurecia por campanhas hollywoodianas e milionárias. Agora, com as campanhas mais baratas e cruas, o fator compra de voto passou a ter mais visibilidade", afirmou. 

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