quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Senadores rejeitam urgência para votar pacote anticorrupção modificado pela Câmara

Requerimento provoca forte protesto entre parlamentares contrários às modificações feitas em texto pela Câmara

Erich Decat, Isabela Bonfim e Julia Lindner,
O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Por 44 votos a 14, o plenário do Senado rejeitou pedido de urgência para votação do pacote anticorrupção na Casa. O requerimento assinado por líderes das bancadas do PMDB, PSD e PTC foi anunciado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que chegou a colocá-lo em discussão antes de o documento ser inserido no sistema da Casa.

Durante as discussões, se colocaram contra a votação as bancadas do PSDB, DEM, PDT e PPS. Os demais partidos não se posicionaram publicamente.

Em meio às reações acaloradas, Renan orientou para que dois senadores fossem à tribuna para falar contra o requerimento e dois para falar a favor. Apenas aqueles que foram contra se pronunciaram. Nenhum senador a favor subiu à tribuna.

Com a palavra, o líder do governo, Aloysio Nunes (PSDB-SP), ressaltou a necessidade de ter mais tempo para discutir a polêmica proposta aprovada horas antes pelos deputados. “Sou contra essa matéria.

“Ela foi aprovada na madrugada de ontem (desta quarta-feira) e a maioria dos senadores não a conhece. Não nos coloquem na contra mão da opinão pública. Não quero que essa matéria chegue na mesa do presidente Temer para vetar ou apoiar”, afirmou.

O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), também criticou a tentativa de se votar o requerimento que tiraria a possibilidade de o tema ser discutido pelos senadores nas comissões temáticas. “Pelo que consta, não houve oportunidade sequer de chegar a mim esse requerimento e, como líder do Democratas, formulo a questão à Mesa para poder esclarecer o fato, já que toda matéria que vem da Câmara dos Deputados deve ser encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça”, afirmou o líder.

Bastidores
Segundo interlocutores, o presidente do Senado decidiu colocar o projeto das 10 medidas anticorrupção com urgência na ordem do dia porque ficou "irritado" com as ameaças dos coordenadores da Lava Jato. A articulação foi feita nesta no gabinete de Renan. Entre os participantes do encontro estavam o líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), o líder do PSDB, Aécio Neves (MG) e o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que deve ser designado como relator da proposta no plenário. Requião também é o relator do projeto que atualiza a lei de abuso de autoridade, amplamente defendido por Renan.

O líder do governo, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), também teria participado da reunião, mas saiu muito irritado ao saber do acordo que estava sendo costurado. Ele teria afirmado que não concordava com a decisão. Mais cedo, disse em plenário que não permitirá que a proposta seja aprovada no Senado e que vai "se bater contra isso".


A assessoria de imprensa de Aécio Neves nega que ele tenha se encontrado com Renan hoje.

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