domingo, 25 de dezembro de 2016

Depois da estupidez contra os comunistas, Roberto Rocha confraterniza com os Murad

Roberto Rocha e Andrea Murad: almas gêmeas

A participação de honra da deputada Andrea Murad (PMDB) na confraternização natalina promovida pelo senador Roberto Rocha (PSB), coloca definitivamente certas personagens no seu devido lugar nos alfarrábios da política do Maranhão.

Filho do ex-governador Luís Rocha, que fez carreira aderindo aos partidos de ocasião da elite brasileira, Roberto finalmente encontra o mesmo caminho do pai, livrando-se do desconforto das aparências iniciadas a partir de 2002, quando entrou no campo das oposições para enfrentar o domínio da família Sarney no Maranhão ao renunciar sua candidatura ao governo, a menos de uma semana da eleição, para apoiar Jackson Lago (PDT).

Até então se portava  entre o lá e o cá, sem fazer o combate direto à oligarquia. Uma das poucas afrontas foi trocar PMDB, partido comandado por Sarney e pelo qual foi eleito deputado federal em 1994, pelo PSDB, legenda criada pelos aristocratas do café com leite, de São Paulo e Minas , que ficou conhecida por ficar em cima do muro, como ele sempre fizera.

Com a marca dos tucanos exerceu dois mandatos de deputado federal (1999-2003 e 2007-2011), um deles durante o mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Ao renunciar em 2002, Roberto Rocha se aproximou – embora sem deixar o PSDB – dos partidos mais à esquerda, como o PDT, o PC do B, o PPS e finalmente, o PSB, onde acabou se filiando para eleger-se, em 2012, vice-prefeito de São Luís na chapa de Edivaldo Holanda Júnior (PTC), que teve o fundamental apoio de Flávio Dino (PC do B), como parte de um projeto político para colocar fim aos mais de 40 anos de mando da família Sarney no estado.

Começava aí o aprendizado adquirido com o genitor em buscar os ventos favoráveis da política, embora de maneira diversa, para assegurar o destino pretendido. Luiz Rocha começou pela UDN, e com o golpe militar mudou-se para a Arena, depois para o PDS e PFL, até encerrar sua trajetória no PSDB.
      Roberto Rocha, filho de governador e a vida mansa de sempre
‘Asa de avião’

Dois anos depois, Flávio Dino era eleito governador e Roberto Rocha senador na mesma chapa majoritária.

Sua candidatura só foi possível com as desistências dos pré-candidatos José Reinaldo Tavares (PSB) e Domingos Dutra (SD) em nome da união do grupo e do compromisso com a transformação exigida pelos maranhenses.

Roseana Sarney (PMDB) e Gastão Vieira (PMDB),  candidatos ao governo do Estado e a única vaga ao Senado, respectivamente, foram derrotados e não há o menor risco de retomarem o poder através de um golpe judicial ao fizeram em 2009 contra o governador Jackson Lago (PDT).

Mas ao tomar posse em Brasília, Roberto Rocha revelou que continua “filho do governador” e fiel às suas origens,  e que não possui nenhuma identidade com o projeto que o elegeu. O seu único compromisso é consigo mesmo e o desejo pessoal em ocupar o Palácio dos Leões, por entender que o cargo de governador é seu por direito.

Acredita que a sede do governo lhe é reservada por direito arregimentado no seu histórico e liderança; ambos superestimados ao ponto de considerar-se a peça mais importante para qualquer plano de voo rumo ao futuro.

– Sou a asa do avião. Sem mim o avião não voa – glorificou-se em entrevista a Leandro Miranda, titular do blog Marrapá e ao jornalista Clodoaldo Correa.

Condição, aliás, que o levou às alturas e a negar o decisivo apoio da base política articulada em 2012 para sua vitória, especialmente o de Flávio Dino, que a uma semana do primeiro domingo de outubro de 2014 se dedicou a convencer o eleitorado da importância da eleição de Roberto Rocha, então praticamente derrotado, segundo todas as pesquisas de intenção de votos.

– Ninguém se elege senador por causa de uma campanha, mas sim por causa de uma história. Vai comparar a minha história com a de Flávio? Há 8 anos ele estava em um gabinete de juiz –  disse na mesma entrevista.

O inferno de Dante

Esquece o turbulento e digníssimo senador, que enquanto Flávio Dino militava pela redemocratização do País e depois como advogado defendia os lavradores e sem terra, ele se dedicava ao papel de filho de governador, trabalho que o permitiu posteriormente entrar para a política e alcançar em 1991 uma cadeira pelo PL na Assembleia Legislativa.

Mas se os seus desvios fossem apenas de megalomania, delírios e modo de fazer política, onde o conceito de fidelidade é circunstancial, seriam somente uma questão de trajeto pessoal e de lamento de quem nele depositou o seu voto esperando o apoio no Senado para a dura e demorada, como tudo na História, tarefa de restaurar o Maranhão após a queda do Ancien Régime.

O mais estarrecedor, no entanto, não é esse sujeito que agora se desvenda, afinal é uma prerrogativa – não um direito, pois os meios condenáveis não justificam os fins – de qualquer político e de qualquer cidadão almejar o futuro que bem entende, mas a ignorância que sua sede de poder demonstrou recentemente ao postar em rede sociais um demônio como símbolo do comunismo para atacar o PC do B e o próprio governador.

Se antes podia condená-lo ou não por seus métodos e engodos para alcançar seus objetivos políticos, mesmo à custa de levar por água abaixo o processo de mudança iniciado por Flávio Dino, não há como negar que a sua oposição também faria parte deste novo momento, pelo nível de enfrentamento que dele se esperava.

Mas ao contrário, com esta campanha difamatória contra os comunistas ele desceu ao mais profundo dos infernos, o nono círculo na divisão de Dante Alighiere, onde os traidores recebem a punição máxima por praticar o maior de todos os pecados.

Cinco dias depois da postagem que apela para estupidez típica do regime militar, no qual seu pai viveu à sombra, e confirmando o dito popular  “onde já se viu piranha parir piaba”,  Roberto Rocha confraternizou com Andrea Murad, em uma cena típica da Divina Comédia.

O bom filho a casa torna!

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