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terça-feira, 18 de abril de 2017

Candidatos pediram caixa 2 na eleição de 2016, diz delator da Odebrecht Ambiental

"Sugeríamos à construtora que a gente doasse pelo propósito institucional de manutenção contratual. Na verdade, a gente pagava e contribuía para as campanhas para cumprir a lei, quase isso".  Isso porque, de acordo com o delator, a empresa estava amarrada à boa vontade do prefeito eleito: "Tem sempre a ameaça de 'viu, vou cancelar o seu contrato'".

Por Gabriela Sá Pessoa
Folha de São Paulo

A Odebrecht tornou-se uma "porta aberta para qualquer político" tão frequente que, segundo o ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, "era quase sinônimo de onde ir no momento de financiar a campanha". Tanto que nas eleições municipais de 2016, com a Lava Jato em curso e executivos da empreiteira negociando delações, candidatos continuaram pedindo recursos à empresa.

Em 2015, Emílio Odebrecht, patriarca do grupo, desmontou o "departamento da propina" e começou a interromper as doações, ainda que pagamentos continuassem nos meses seguintes.

"Mesmo assim, nós fomos buscados por vários políticos para fazer caixa dois", afirmou Reis, em dezembro passado, no depoimento a procuradores da operação Lava Jato. O executivo não citou nomes.

Criada em 2008, a Odebrecht Ambiental é o braço do grupo responsável por serviços de saneamento básico, serviços administrados pelas prefeituras. No ano de sua fundação, a empresa, segundo o executivo, atuava em oito cidades. Em 2014, já tinha contratos com 220 cidades de 12 Estados. Um efeito das eleições de 2012, quando a empresa fez 54 doações ilegais a candidatos, detalhadas em uma planilha apresentada à investigação.

A maior parte delas (32) para a disputa em cidades paulistas. A justificativa frequente era manter ou promover projetos de saneamento básico nessas cidades, favorecendo a Odebrecht Ambiental.

"A gente foi aprendendo que o poder do concedente no setor ambiental é diferenciado do setor de construção. Não dependemos que o prefeito pague a fatura, a gente cobra do usuário [as tarifas pelo abastecimento]", disse Reis.

"Sugeríamos à construtora que a gente doasse pelo propósito institucional de manutenção contratual. Na verdade, a gente pagava e contribuía para as campanhas para cumprir a lei, quase isso".

Isso porque, de acordo com o delator, a empresa estava amarrada à boa vontade do prefeito eleito: "Tem sempre a ameaça de 'viu, vou cancelar o seu contrato'".


Outra justificativa era a indicação de caciques políticos, para "consolidar o canal". Exemplo: na planilha, consta doação de R$ 300 mil Helil Cardozo (PMDB-RJ), ex-prefeito de Itaboraí e codinome "Calota", a "pedido de Eduardo Cunha". "Acho que nunca conseguimos influenciar que um candidato ganhasse. Mas, de alguma forma, com o poder econômico, [conseguíamos] influenciar pelo menos os discursos, as ideias na elaboração dos planos", explica Reis.

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