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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Governador de Roraima diz que 'em guerra' índio que defende demarcação seria fuzilado

Marcelo Toledo
Folha de São Paulo

A demissão na manhã desta segunda-feira (17) do secretário do Índio de Roraima, Dilson Ingarikó, 42, sob a alegação de ele ser defensor de demarcações de terras indígenas, gerou uma troca de acusações entre ele e o governador interino do Estado, Paulo Quartiero (DEM).

Quartiero afirmou em entrevista coletiva que o indígena era pago para resolver os problemas do Estado, e não criar complicações, e que a defesa de Ingarikó pelas demarcações representa "traição" e "deboche" ao Estado.

A demissão foi informada após Ingarikó ser chamado para uma reunião no gabinete do governador. Além dele, o secretário-adjunto, Hugo Cabral, também foi demitido.

"Se fosse em situação de guerra, ele teria de ser fuzilado, na realidade, mas como nós temos democracia, ele foi demitido", disse Quartiero, que assumiu o cargo após a governadora Suely Campos pedir afastamento até o próximo dia 25.

Os dois estão rompidos politicamente desde o início da gestão. Ele disse ainda que foi surpreendido ao tomar conhecimento de postagens de Ingarikó em redes sociais festejando demarcações de terras indígenas. O ex-secretário nega ter publicado algo sobre o tema, mas disse defender as demarcações e "não negar apoio à causa".

"Achei uma traição, uma leviandade, um deboche. Porque ele, como secretário do Índio, até que lute pelos índios é compreensível, mas ele tem de entender como secretário de Estado que a população de Roraima é de índios, brancos, pretos, pardos. O Estado tem de ver todos, não unicamente uma classe. Inaceitável", disse Quartiero.

Roraima tem cerca de 50 mil indígenas distribuídos em mais de 30 comunidades, para uma população total de 514 mil habitantes. Entre as terras indígenas mais conhecidas estão Raposa/Serra do Sol, São Marcos, Vaimiri-atroari e Ianomâmi. Por outro lado, o ex-secretário publicou em redes sociais uma nota de repúdio ao governador interino, a quem chamou de ter "visão tosca, equivocada, anti-histórica, preconceituosa e racista".

"Demonstrou a pequenez de uma mente humana que não respeita a sociodiversidade dos primeiros habitantes deste país. Ao afirmar que numa outra situação eu 'teria de ser fuzilado', o senhor Quartiero [...] agiu como um pequeno ditador, alguém que pensa estar acima da lei nacional, um agente de repressão." Ingarikó afirmou ainda que lamenta o "despreparo" do político e o desrespeito manifestado aos povos indígenas.


A expectativa de lideranças indígenas ouvidas pela reportagem é que a governadora reverta a decisão de Quartiero -produtor rural que teve conflitos com indígenas nos últimos anos e é totalmente contra as demarcações- ao reassumir o posto.

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