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sábado, 15 de abril de 2017

‘Modus operandi’ da Odebrecht: financiamento de campanha não é ‘de graça’; cobrança da fatura vem depois


Geralmente o financiamento de campanhas é uma espécie de abertura de portas para conseguir obras de interesse da empresa.
Chefão da Odebrecht deixa claro o ‘modus operandi’ ao relatar estreita relação com o ex-presidente Lula, aproveitando para conseguir obras em setores de atuação da Organização.
Emílio Odebrecht e Lula
Está mais que comprovado que empreiteiro nenhum financia campanhas eleitorais de graça. Não fazem doações, mas investimentos. Após a campanha, passam a atuar junto aos eleitos para tirar dividendos através da facilitação de operações com o poder público, obviamente em áreas de interesse das construtoras e de outros financiadores.

Ao relatar a grande influência no governo Lula, o chefão da empresa, Emílio Odebrecht, deixou claro o 'modus operandi': o financiamento é uma abertura de portas para defesa de interesses da empresa em governos, com a definição de áreas de atuação e obras a serem tocadas. Tudo acertado em reuniões com o próprio presidente.

“Nessas reuniões, eu apresentava os assuntos empresariais de interesse da Organização que me pareciam compatíveis com as opções políticas governamentais e projetos para o crescimento do país”, disse Odebrecht, acrescentando que buscava entender se o direcionamento dado pelo governo coincidiria com a visão da empresa para determinados setores.

Ele revela também que tentava influenciar para que Lula adotasse políticas de governo que fossem coincidentes com os interesses da Odebrecht. “Sendo que muitas vezes eu obtive êxito”, diz.

Odebrecht diz, ainda, que pedia o apoio de Lula para promover agendas de interesses da Organização nas interlocuções que mantinha com os presidentes de outros países da América Latina e África, onde tinha negócios.
Um dos focos da Odebrecht era o setor de saneamento em todo o país, principalmente com a onda de privatizações. Isso fica mais evidente com a revelação de que a empresa  pagou pelo menos R$ 24,5 milhões por meio de propina e caixa dois para políticos de 12 estados do país com o propósito de conseguir contratos na área de saneamento básico.

A empresa chegou a financiar campanhas de candidatos rivais e a distribuir pagamentos em cidades com menos de 20 mil habitantes na tentativa de fechar acordos para a Odebrecht Ambiental, que foi vendida para  um grupo canadense no fim do ano passado.

Só no Pará, a empresa doou R$ 1,5 milhão em 2014 ao ministro Helder Barbalho (PMDB-PA), então candidato ao governo, o senador Paulo Rocha (PT-PA) e o ex-prefeito de Marabá, João Salame (PROS-PA).

Os repasses “funcionariam como contrapartida a interesses do grupo Odebrecht no estado, notadamente na área de saneamento básico, espaço em que almejava atuar como concessionária”, segundo despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin que autorizou abertura de investigação.

No Maranhão, a Odebrecht Ambiental assumiu os sistemas de saneamento básico de São José de Ribamar e Paço do Lumiar, que eram operados pela Caema, em um acordo com os ex-prefeitos Gil Cutrim e Josemar Sobreiro, respectivamente. No entanto, não se tem informações de que a empresa tenha desembolsado algum recurso para pagamento de propina ou mesmo para financiamento de campanhas. Uma situação que pode ser revelada com o aprofundamento das investigações em torno desse ‘modus operandi’ da Odebrecht em todo o país.

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