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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Ataque deixa 13 índios feridos no MA, destaca O Estado de São Paulo

Indígenas gamelas foram vítimas de pistoleiros no município de Viana - três estão internados em estado grave; Polícia Federal foi enviada para investigar crime
Com informações de O Estado de São Paulo

Um grupo de indígenas gamelas que vivem no Povoado das Bahias, no município de Viana, no interior do Maranhão, foi atacado na tarde deste domingo, 30, por pistoleiros. Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cinco índios foram baleados. "Chega a 13 o número de feridos a golpes de facão e pauladas", declarou o Cimi. Não há, até o momento, a confirmação de mortes.

Cinco indígenas foram transferidos durante a noite deste domingo e madrugada desta segunda-feira, 1º, para o Hospital Socorrão 2, Cidade Operária, na capital São Luís.

Segundo informações passadas ao blog, um índio teve fraturas expostas nas mãos e foi submetido a cirurgia no Socorrão 2. Neste momento, ele está sendo transferido para o Hospital José Carlos Macieira, o hospital do servidor. Seu estado de saúde é estável.

De acordo com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Aldeli Ribeiro Gamela foi atingido por um tiro na costela e um na coluna, e teve mãos decepadas e joelhos cortados. Seu irmão, José Ribeiro Gamela, levou um tiro no peito. O terceiro atingido foi o indígena e agente da CPT no Maranhão Inaldo Gamela, com tiros na cabeça, no rosto e no ombro.

"Essa violenta ação aconteceu quando os indígenas decidiram sair de uma área tradicional retomada, prevendo a violência iminente. Dezenas de pistoleiros armados com facões, armas de fogo, e pedaços de madeira atacaram os gamela no momento em que deixavam o território", informou a CPT do Maranhão. "Para se protegerem, muitas pessoas correram e se esconderam na mata."

De acordo com a CPT, a ação contra os indígenas foi planejada e articulada por fazendeiros e pistoleiros da região, que, por meio de um texto compartilhado pelo aplicativo WhatsApp, convocavam pessoas para o ataque contra os indígenas.

"O governo do Maranhão já havia sido avisado da situação conflituosa na região e do risco de acontecer um massacre, mas, ao que consta até o momento, nem a polícia havia sido deslocada até a área para tomar as medidas cabíveis."

Autoria
As lideranças indígenas cobram uma investigação para descobrir a autoria do atentado. Elas também exigem do governo do Estado e da Fundação Nacional do Índio (Funai) proteção para as famílias gamelas que moram em aldeias no município.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que uma equipe da Polícia Federal foi enviada ao município de Viana, no Maranhão, "para evitar mais conflitos" entre capangas e indígenas.

Segundo a nota divulgada pela Pasta, o ministro Osmar Serraglio "ofereceu apoio à Secretaria de Segurança Pública que, por sua vez, já instaurou inquérito para investigar o caso". O MJ declarou que "está averiguando o ocorrido envolvendo pequenos agricultores e supostos indígenas no povoado de Bahias, no Maranhão".

Já o governo do Maranhão disse em comunicado que as Polícias Civil e Militar atuaram conjuntamente para inibir os "conflitos". "Ao chegar ao local, os policiais agiram para dissipar o confronto entre os fazendeiros e os índios gamela, que resultou na lesão de cinco pessoas (três fazendeiros e dois indígenas), todas socorridas pelos militares e encaminhadas para unidades de saúde de Viana e Matinha", ressaltou.

A nota não informou o nome dos supostos fazendeiros feridos. A Funai não se pronunciou sobre o atentado contra os gamelas.

Gamelas
Cerca de 700 famílias gamelas vivem numa área de apenas 530 hectares próxima ao Povoado de Bahias. Há três anos, lideranças da etnia iniciaram um processo para retomar áreas ocupadas ilegalmente por fazendeiros nos anos 1980.

A Polícia Civil de Viana registra pelo menos dois outros ataques aos gamelas. Em 2015, pistoleiros atiraram em um acampamento montado pelos índios. No ano passado, em outro ataque, três homens com coletes à prova de balas invadiram o território dos gamelas e atiraram para intimidar.

Atualmente, segundo a Pastoral da Terra, há cerca de 360 conflitos no campo no Estado. Destes, somente em 2016 foram registradas 196 ocorrências de violência contra os povos do campo. No ano passado, 13 pessoas foram assassinadas e 72 estão ameaçadas de morte.

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