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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Dirigentes e deputados do PSB pedem expulsão do ministro de Minas e Energia

Fernando Bezerra Filho (PE) permanece no cargo mesmo após a sigla decidir romper com o governo
Ministro de Minas e Energia, Fernando bezerra Filho
Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Dirigentes e deputados do PSB da ala que faz forte oposição ao presidente Michel Temer pedem a expulsão do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho (PE), do partido, por permanecer no cargo mesmo após a legenda decidir oficialmente romper com o governo.

A expulsão já foi defendida por parlamentares e integrantes da direção nacional do PSB nos grupos de WhatsApp do partido. "Vamos representar contra o Fernando Bezerra Filho. #ForaFernandoBezerraFilho", escreveu Joilson do Nascimento, secretário sindical e membro da executiva nacional do PSB. 

O ministro, que é deputado licenciado, e outros parlamentares do PSB já respondem a processo que pode levar à expulsão, por terem votado a favor da reforma trabalhista durante na Câmara, em abril deste ano, contrariando decisão do partido de fechar questão contra à proposta.

"Esse fato agrava a situação do ministro no processo que ele já responde por infidelidade partidária, no âmbito da comissão de ética do PSB. O partido repudia a presença de seus membros nesse governo, mesmo que não tenha sido indicado pela sua direção nacional", afirmou o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, ao Broadcast Político.

Renúncia e diretas
Em reunião nesse sábado, 20, o PSB decidiu desembarcar do governo Temer após o presidente ser atingido pela delação de executivos da JBS. O partido pede a renúncia de Temer e defende eleições diretas para presidente, caso Temer renuncie, seja cassado ou impitimado. Hoje, a Constituição Federal prevê eleição indireta nesses casos.

Na reunião do PSB de sábado, o partido decidiu desembarcar do governo, mas não estabeleceu punição para quem permanecesse. "Não determinamos a saída, apostando no bom senso, que, infelizmente, não há. Não houve decisão de que não de que não haveria punição", rebateu o presidente da sigla.

O rompimento com o governo Temer foi defendido pela ala do PSB ligada ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara, mesmo grupo do ex-governador daquele Estado Eduardo Campos. Essa grupo já defendia independência da sigla em relação ao governo antes mesmo da divulgação da delação da JBS.

O grupo de Fernando Filho, porém, sempre foi contra e quer permanecer no governo. Compõem esse grupo, o pai do ministro, o senador Fernando Bezerra (PE), e a líder do partido na Câmara, Tereza Cristina (MS), entre outros parlamentares.

48 horas
Após a reunião da executiva do PSB desse sábado, o ministro de Minas e Energia pediu até 48 horas para anunciar se fica ou não no cargo. Até o momento, ainda não respondeu oficialmente à sigla.  No entanto, já informou ao presidente que vai permanecer no posto.

"Felizmente nossas regras de disciplina são claras e foram editadas para todos, indistintamente. O enfrentamento foi decidido por ele e está aceito", afirmou Siqueira. Procurado pelo Broadcast Político por telefone e por mensagem, o ministro não se pronunciou.

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