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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Editorial da Folha de S.Paulo mostra que acusação contra Flávio Dino é "contraditória e inconsistente"

O principal editorial do jornal Folha de S.Paulo desta quarta-feira (10) aponta “informações contraditórias ou inconsistentes” de um delator da Odebrecht contra o governador Flávio Dino. O assunto já tinha sido manchete do jornal paulista do último domingo e agora volta a ser abordado.

Diversas contradições já haviam sido apontadas na delação de José de Carvalho Filho. Tanto na reportagem de domingo como no editorial desta quarta, a Folha trata de duas delas.

O delator disse que, em 2010, quando era deputado federal, Flávio Dino teria atuado em favor da Odebrecht por meio de um projeto de lei. Mas Dino jamais atuou na proposta, como comprovam documentos oficiais. “Por que a verba seria concedida em troca do avanço de um projeto de lei que acabou arquivado?”, pergunta o editorial da Folha.

Outro ponto inconsistente é em relação ao suposto pagamento que teria sido feito. O editorial traz nova pergunta: “Flavio Dino (PC do B), governador do Maranhão, teria recebido R$ 200 mil, como disse um delator, ou R$ 400 mil, como consta da peça elaborada pela Procuradoria-Geral da República?”

Confira o editorial
Muito a investigar

Em que pese a expectativa geral de depuração dos quadros políticos do país, suscitada pelos feitos inauditos da Operação Lava Jato, não se pode perder de vista que, no plano judicial, a maior parte das investigações mais chamativas ainda ensaia seus primeiros passos.

Exemplos fartos a ilustrar essa constatação básica encontram-se em levantamento, publicado no domingo (7) por esta Folha, de informações contraditórias ou inconsistentes prestadas por delatores ligados à construtora Odebrecht.

Tais depoimentos embasam a vasta relação de inquéritos e petições que, desde o mês passado sob a guarda do Supremo Tribunal Federal (STF) e de cortes inferiores, cobriu de suspeitas as cúpulas do Executivo, do Legislativo e dos principais partidos nacionais.

Em comum, as dezenas de políticos mencionados receberam recursos da empreiteira, sócia confessa do esquema de corrupção revelado na Petrobras.

Daí a averiguar se sabiam da origem do dinheiro — e se proporcionaram vantagens à doadora, o que caracterizaria a corrupção—, há longo caminho a percorrer. Delações precisam ser corroboradas por evidências, mas a imprecisão dos testemunhos já mostra que nem todos serão comprováveis.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), teria obtido por caixa dois R$ 200 mil, R$ 500 mil ou R$ 2 milhões em 2010, conforme três versões distintas?

Flavio Dino (PC do B), governador do Maranhão, teria recebido R$ 200 mil, como disse um delator, ou R$ 400 mil, como consta da peça elaborada pela Procuradoria-Geral da República? E por que a verba seria concedida em troca do avanço de um projeto de lei que acabou arquivado?

Todos os casos demandarão apuração adicional mais complexa, que nem sempre será conclusiva –ou que, muitas vezes, apontará a inocência de suspeitos.

Tais desdobramentos, corriqueiros em qualquer processo judicial, certamente vão frustrar expressivas camadas da opinião pública, que acompanha com compreensível desconfiança o jogo de pressões que se disputa em Brasília.

Entre seus protagonistas estão o ministro Gilmar Mendes, do STF, que emite sucessivas críticas públicas à condução da Lava Jato, e o procurador-geral, Rodrigo Janot, que pediu à corte o impedimento de Mendes no julgamento que encerrou a prisão preventiva do empresário Eike Batista.


Haverá arrazoados, decerto, para sustentar este ou aquele posicionamento. Quaisquer que sejam seus motivos, entretanto, autoridades que deveriam demonstrar discrição e equilíbrio erram ao tensionar ainda mais o ambiente.

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