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sábado, 20 de maio de 2017

PSB rompe com Temer e pede renúncia; partido tem a sexta maior bancada do Congresso

Gustavo Maia
Do UOL, em Brasília

No terceiro dia da crise política causada pela delação premiada de executivos da JBS, que levou à abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer (PMDB), o PSB (Partido Socialista Brasileiro), decidiu romper oficialmente com o governo federal e "sugerir" a renúncia do peemedebista "o mais rápido possível".

Com 42 parlamentares, o partido tem a sexta maior bancada das duas Casas do Congresso, e representa 7% dos votos no Legislativo. A legenda é a quarta maior em número de senadores (sete), empatado com o PP. Na Câmara, a sigla é asétima mais representada, com 35 deputados federais.

O posicionamento foi divulgado depois de reunião da Executiva Nacional do partido que começou por volta das 10h e entrou pela tarde deste sábado (20), em Brasília. No encontro, que ainda não terminou, os dirigentes discutiram a permanência do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho (PSB-PE), no cargo, mas até as 13h20, ainda não haviam decidido que providências serão tomadas caso ele decida ficar na pasta.

Deputado federal licenciado, eleito para o seu terceiro mandato em 2014, Coelho Filho foi procurado pela reportagem do UOL, mas não respondeu até o momento. Seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que é vice-presidente de relações parlamentares do PSB, não compareceu à reunião e também não foi encontrado pela reportagem.

Resolveram ainda fechar questão em apoio à aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que prevêeleição direta caso Temer deixe a Presidência da República.

"O povo precisa entrar em cena porque a crise é muito grande e não é só do presidente, é de todo o sistema político que precisa ser renovado no processo eleitoral", declarou o presidente do PSB, Carlos Siqueira.

Na quinta (18), dia seguinte à divulgação das primeiras informações sobre a delação, pelo jornal "O Globo", Siqueira já havia divulgado nota pedindo que o ministro Coelho Filho voltasse a exercer o mandato na Câmara pelo partido
Segundo Siqueira, a sigla não pode "admitir" que um de seus membros faça parte de um governo "antipopular que perdeu, por inteiro, sua legitimidade para governar o Brasil".
Ele ressaltou, porém, que a indicação de Coelho Filho para o ministério "jamais" foi feita pela direção nacional da sigla.

O PSB também foi um dos partidos que assinou pedido de impeachment contra Temer na quinta. Em menos de 24 horas, o presidente foi alvo de outros sete requerimentos semelhantes protocolados na Câmara dos Deputados.

Ao deixar a reunião neste sábado, o deputado Julio Delgado (PSB-MG), que é secretário especial do partido, afirmou que o ministro "talvez seja até implicado a pedir licença do partido para continuar exercendo [o comando do ministério]".

"Talvez ele queira ficar no navio tocando o violino do Titanic. Essa é uma opção dele", ironizou Delgado.

Antes do PSB, o Podemos (ex-PTN) e o PPS já haviam anunciado o rompimento com o Planalto. O agora ex-ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS-SP) se demitiu por conta da repercussão das revelações.

Nesta sexta (19), no entanto, ele reassumiu a presidência nacional do partido e afirmou que a legenda vai continuar apoiando o governo, apesar de dizer que sua demissão foi "inevitável".

As dez maiores bancadas no Congresso:
PMDB - 85 (Senadores 22 + Deputados 63)
PT - 67 (9 + 58)
PSDB - 58 (11 + 47)
PP - 54 (7 + 47)
PR - 43 (4 + 39)
PSB - 42 (7 + 35)
PSD - 42 (5 + 37)
DEM - 33 (4 + 29)
PDT - 21 (2 + 19)
PTB - 19 (2 + 17)
No total, são 81 senadores e 513 deputados.

PSB x Governo
A relação conflituosa do PSB com o governo Temer não começou com a revelação da delação de Joesley Batista, dono da JBS.

Em dezembro do ano passado, o presidente do PSB gaúcho, o ex-deputado federal Beto Albuquerque, defendeu que a sigla deixasse a base aliada e entregasse todos os cargos no governo, incluindo o Ministério de Minas e Energia.

Em abril deste ano, a Executivo do PSB fechou questão contra as reformas da Previdência e trabalhista, duas das principais propostas do Planalto.


Na sessão plenária que aprovou o projeto que altera leis trabalhistas na Câmara, no entanto, 14 dos 30 deputados do PSB que estavam presentes votaram a favor da reforma –e continuaram na sigla.

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