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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Temer tem que renunciar. O Brasil quer diretas-já.

Por Tereza Cruvinel

Desta vez não foi ato anterior ou estranho ao exercício do mandato, aquela reunião sobre propina de US$ 40 milhões. Nem se trata de mera delação sem prova. O flagrante de Joesley Batista não deixa a Michel Temer outra saída senão a renúncia, para que o Brasil possa finalmente encerrar a aventura do golpe e escolher livremente um novo presidente.  Tendo o Planalto negado em nota à noite que Temer tratou com o dono da JBS da compra do silêncio de Eduardo Cunha, o ministro Luiz Fachin deve ao Brasil a rápida divulgação desta gravação. Se Temer aparece dizendo “tem que mandar isso, viu?” (o cala-boca pago mensalmente a Cunha), que lhe resta senão renunciar?

É verdade que a Constituição prevê a eleição indireta quando a vacância ocorre no segundo biênio do mandato. Mas, com a renúncia ou afastamento de Temer por qualquer outra via,  quem terá a petulância de defender a escolha do sucessor pelo atual Congresso que deu o golpe e tem tantos investigados ocupando cadeiras nas duas Casas?   O povo brasileiro, que já engoliu tantos sapos desde o ano passado, quer votar para presidente.

As mesmas pesquisas que, nos últimos meses, apontaram a rejeição de mais de 90% a Temer, dizem que este vasto contingente de brasileiros quer diretas-já.  Se Temer renunciar, o Congresso poderá,  sim, aprovar uma emenda constitucional antecipando a eleição presidencial de 2018 para este ano. Duração de mandato não é cláusula pétrea.  Ou a elite política, aqui entendida como a superestrutura dos três poderes, começa a tomar providências para desatar este nó institucional, ou terá que se haver com as ruas.

Após o estouro das notícias-bomba do jornal O Globo, os plenários da Câmara e do Senad foram esvaziados.  Os políticos recolheram-se a seus gabinetes ou apartamentos,  em conversas que prometem avançar noite adentro.  Os governistas, buscando uma saída que não pode existir para Temer, pelo menos dentro do Estado de Direito, ainda que relativo, como este em que vivemos.  A oposição, tratando de não perder a hora que finalmente parece ter chegado.

Alexandre Molon, da Rede protocolou um pedido de impeachment mas esta saída não atende à urgência da situação.  Temer foi gravado pelo dono da JBS incentivando a compra do silêncio de Eduardo Cunha. Um crime no exercício do mandato. Um crime de responsabilidade que abre espaço para o impeachment e para uma ação do próprio STF. Seu preposto, deputado Rodrigo Rocha Loures, foi fotografado recebendo propina. O senador Aécio Neves também foi gravado negociando valores com a JBS.   Desta vez a Lava Jato deu um passo além das delações. Com as tais ações coordenadas, negociou flagrantes com os delatores.

A mídia que apoiou o golpe e sustenta Temer vive um grande desconforto, mas não perde a pose.  “O Globo” deu o furo e todos terão agora que seguir na cobertura destes fatos gravíssimos -  que terão de resultar no fim do governo ilegítimo e na restauração democrática – como se até ontem não vivessem num claro cambalacho com o governo  e com sua coalizão política.  Poderiam ir além,  cobrando a renúncia que abreviaria o parto e defendendo eleições diretas  e não o conchavo entre as oligarquias através da eleição indireta.          

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