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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Uso de avião da JBS complica situação de Temer, avalia Planalto

No segundo dia de julgamento do TSE, clima no Planalto é de tensão
POR JÚNIA GAMA E EDUARDO BARRETO 
O Globo
BRASÍLIA - O clima no Palácio do Planalto neste segundo dia de julgamento do processo de cassação da chapa presidencial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi de alta tensão. Não tanto pelo que foi considerada uma manifestação “dura” por parte do relator do processo, o ministro Herman Benjamin, mas pelos diversos fatos que vêm, sucessivamente, complicando a situação do presidente Michel Temer. O uso de um avião da JBS, revelado na delação do empresário Joesley Batista, e a forma como a notícia foi tratada no governo foi considerado um agravante da situação do presidente por auxiliares do Planalto.

Para interlocutores do presidente, os acontecimentos “extra-TSE” têm sido fonte maior de preocupação que o julgamento na Corte. Segundo seus assessores, o presidente tem acompanhado com cautela o julgamento, mas a impressão, até o momento, é de que há um placar relativamente consolidado a favor de Temer. As ações em outras frentes, porém, trazem o componente surpresa de um desgaste progressivo e com implicações que ainda não podem ser contabilizadas.

A avaliação é que há uma estratégia deliberada por parte do Ministério Público (MP) para minar Michel Temer ao longo dos dias e que o órgão ainda tem “cartas na manga” não divulgadas. Auxiliares do presidente foram surpreendidos pelo episódio que revelou o uso do avião da JBS e acabaram desmentindo a versão inicial ao ter que admitir que Temer, de fato, viajou em aeronave particular. A resposta apressada, que depois teve de ser remendada, foi vista como equívoco no Planalto. O episódio foi tratado por Temer, internamente, como um “esquecimento”.

O temor agora é sobre o impacto que este episódio e outros relacionados podem ter sobre uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito das investigações contra Temer e sobre a permanência de aliados na base de apoio ao governo no Congresso. O ambiente tenso nesta quarta-feira ficou expresso na proibição a que jornalistas circulassem pelo quarto andar do Palácio do Planalto, onde ficam os gabinetes dos ministros da Casa Civil, da Secretaria de Governo e da Secretaria-Geral. Em fevereiro, o governo havia restringido o acesso da imprensa a esta área, mas a regra não era seguida à risca desde então.

Para um assessor do Planalto, o episódio do avião fragiliza Temer porque ataca frontalmente duas das principais linhas de defesa do presidente às acusações das delações da JBS, nos dois pronunciamentos que fez sobre o tema: a de que Joesley é "falastrão" e a tentativa de mostrar que não tinha relações pessoais com o empresário.

— Não acreditei na narrativa do empresário de que teria segurado juízes. Ele é um conhecido falastrão, exagerado — declarou Temer no último dia 18. Dois dias depois, atacou o delator mais fortemente, ainda sem citar nomes:

— O autor do grampo está livre e solto passeando pelas ruas de Nova York – provocou Temer, na ocasião.

Um interlocutor do Planalto criticou a posição da Secretaria de Comunicação da Presidência, que soltou duas notas contraditórias em dois dias: antes, o avião era da FAB; depois, era particular, mas Temer "não sabia" quem era o dono da aeronave.

— Se depois de pegar esse avião ele telefonou para agradecer, é difícil refutar que há um relacionamento. E, após seis anos, ele recebe esse empresário no Jaburu naquelas condições? É o contrário do que ele usou para se defender — diz esse assessor.

Por essa razão, uma das avaliações de auxiliares de Temer é que a incerteza que paira sobre o governo não está nos julgamentos do TSE, mas no que ainda está por vir. A estratégia do próprio governo nos últimos dias, de atacar a Procuradoria-Geral da República e acusá-la de estar preparando vazamentos de provas serviu para tentar uma "vacina" a eventuais fatos novos.

Depois que o TSE convocou sessões extraordinárias, a previsão no Planalto é que na segunda-feira o assunto esteja liquidado, a favor de Michel Temer. Quanto à denúncia do STF, o governo avalia que, neste momento, Temer não teria dificuldade em conseguir votos de 172 deputados para derrubar o processo, mas fatos novos podem deixá-lo em situação mais complicada na Câmara.

Enquanto isto, o governo continua na tentativa de manter uma pauta de trabalhos que se sobreponha à crise. Nos próximos dias, a equipe econômica deve entregar ao Planalto um pacote de medidas para estimular a economia, especialmente o comércio. O programa Avançar, que prevê projetos de R$ 53 bilhões, também está no radar.

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