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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Auditoria aponta "descaso" e "má-fé" em obras de Geddel/Roseana para enchentes

Um relatório do Ministério da Integração Nacional de Brasília levanta diversos problemas na execução de obras previstas em um acordo de cooperação milionário entre a então governadora Roseana Sarney e o então ministro Geddel Vieira Lima em 2009. O próprio ministério aponta desvio de R$ 18 milhões em obras não realizadas. Os recursos repassados pelo governo federal deveriam servir para reconstruir estradas e pontes afetadas por enchentes que castigaram o estado naquele ano.

O que se viu, no entanto, pelo relatório da auditoria foi bem diferente. O documento obtido com exclusividade mostra que o Ministério da Integração Nacional viu "descaso", "desrespeito" e "má-fé" dos executores da obra. A auditoria conclui que ao menos R$ 18 milhões transferidos não se transformaram em obras.

Uma das práticas citadas pelo relatório é a maquiagem de obras antigas, com poucos reparos, para que pareçam novas. É o caso, segundo a auditoria de uma obra na região de Caxias, em que uma ponte deveria ter sido totalmente recuperada. Segundo a auditoria, a "estrutura antiga foi rebocada com aparência de construção recente".

Em outro trecho do relatório, a auditoria afirma que a "estrutura antiga (foi) construída há mais de 30 anos, sendo rebocada para aparentar nova".  Ainda segundo o relatório, essas alterações caracterizam "má-fé" dos construtores.

Auditoria da Integração apura desvios em 2009

Uma investigação do governo federal apura o destino de parte dos recursos repassados ao Governo do Maranhão em 2009 com o objetivo de recuperar rodovias em quase 70 municípios do estado. Os recursos deveriam ter recuperado rodovias após uma enchente no estado. Uma auditoria interna do Ministério da Integração Nacional orienta a glosa de  R$ 18 milhões - com valores atualizados - em contrato realizado por aquele órgão e o governo do Estado.

Geddel Vieira Lima, hoje réu da Lava Jato, era o ministro à época. E Roseana Sarney, a governadora. Parte dos processos foi assinado por seu vice, o hoje senador João Alberto.

O recurso encaminhado ao Governo do Estado visava realizar obras em estradas no interior para recuperar vias atingidas pela enchente de 2009. Em alguns casos, no entanto, os recursos não chegaram a seu destino.

Em 14 de maio de 2009, a então governadora Roseana Sarney encaminhou ao Ministro de Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o Plano de Trabalho no valor de R$ 35 milhões, com o objetivo da reconstrução de estradas estaduais, recuperação de obras de artes especiais e pavimentação de vias urbanas em 69 municípios, que se encontravam em situação de emergência, em decorrência das enchentes e inundações ocorridas naquele ano.

As ligações políticas do então ministro Geddel Vieira Lima e Roseana Sarney, ambos do PMDB, facilitou o trâmite dos recursos à época. Nesta semana, a Polícia Federal prendeu, novamente, o ex-ministro após encontrar em um apartamento ligado a ele a quantia de R$ 51 milhões, em dinheiro vivo, que estavam guardadas em malas na cidade de Salvador.

Nesta semana também, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal), contra cinco senadores e dois ex-senadores do PMDB, acusados de integrar organização criminosa e receberem R$ 864 milhões em propina. Entre eles, o ex-senador José Sarney, um dos integrantes mais influentes da cúpula do partido.

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