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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Ex-pastor evangélico é preso suspeito de chefiar quadrilha de roubo a bancos; ele ostentava viagens e carros com dinheiro do crime


Fernando Garcel
Paraná Portal

Chefiada pelo ex-pastor evangélico Ronei Goes Camargo, uma quadrilha suspeita de sequestrar gerentes de bancos nos estados do Paraná e Santa Catarina foi alvo de uma operação do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), da Polícia Civil do Paraná, batizada de Operação Jaguar. Com apoio da Delegacia de Jaguariaíva, cidade no Oeste do estado, os policiais apreenderam armas, coletes a prova de balas, balaclavas, luvas, 3,8 quilos de crack, cerca de R$ 250 mil em espécie, além de motos e carros que teriam sido comprados com dinheiro roubado.

De acordo com a investigação, o pastor foi identificado como responsável por pelo menos dois sequestros no Paraná. O primeiro teria ocorrido em 23 de maio deste ano, em Jaguariaíva, e o segundo, em 10 de julho, na cidade de Matinhos, no litoral paranaense.

O método violento como a quadrilha agia chamou a atenção da polícia, segundo o delegado de Jaguariaíva, Derick Moura Jorge. “Desde que as investigações se iniciaram, o tempo que eles passaram em poder dos meliantes que chamou atenção da polícia em razão da tortura que era realizada contra a família. Na região do banco, permaneceram com a mulher e o bebê [filho do gerente bancário] dentro do carro e colocaram a arma na cabeça do bebê e afirmaram que se a mãe tentasse acionar a polícia eles disparariam contra a criança”, conta o delegado.

Viagens

Durante toda a investigação que culminou com a operação, o Tigre descobriu que após os sequestros e roubos bem sucedidos integrantes das quadrilhas faziam viagens – algumas delas de luxo. Depois do roubo ao banco de Jaguariaíva, em maio deste ano, Ronei Goes Camargo foi de avião até o Rio de Janeiro, onde foi recebido por representantes de organização criminosa sediada nos morros cariocas, e voltou para o Paraná com um veículo Pajero, lá adquirido com dinheiro proveniente da extorsão mediante sequestro.

Nesta viagem, Camargo foi acompanhado por Camila Alves, com quem mantinha relacionamento extramatrimonial. Era ela quem em troca de dinheiro fornecia a casa para que fossem planejados os crimes e em seguida para que houvesse a contagem e a repartição do dinheiro produto dos crimes. Camila Alves foi presa nesta quarta-feira (18).

Ozéias Troi, conhecido como Batman, e José Vicente Filho foram presos quando se preparavam para realizar um sequestro e posteriormente o roubo a banco no interior do Paraná. Eles foram detidos na região de Palmeira no dia 20 de junho quando estavam viajando para a cidade em que cometeriam os crimes. A dupla estava num veículo Logan, roubado em Curitiba, quando foi abordada por uma equipe do TIGRE. Com eles foram apreendidos revólver calibre 38, colete a prova de balas, duas pistolas calibres 9mm e uma 380, além de balaclavas, luvas e celular.

Marco Antonio Nicleviski foi preso na BR-101 quando vinha para Curitiba. Ele já tinha monitorado toda a rotina de um gerente de banco de uma cidade pequena próxima a Itajaí, em Santa Catarina. Quando foi preso ele confessou para a polícia que havia ajudado no planejamento do sequestro do gerente na cidade catarinense.

Modus operandi

Segundo a polícia, a organização criminosa era sofisticada e seguia o mesmo modus operandi. Havia uma pessoa da cidade que era cooptada pela quadrilha para fazer o levantamento do local e da rotina do gerente do banco. Era ele que anotava rotas, dados familiares, horários, endereço da casa do gerente, bem como dados referentes a agência bancaria escolhida como alvo. Assim como propunha os caminhos a serem percorridos, locais de agrupamento dos membros da organização criminosa e para manutenção de reféns em cárcere privado, rotas de fuga e os pontos para que os veículos usados no crime fossem abandonados.

Outra parte da quadrilha era responsável por abordar o gerente do banco no período da noite e manter a família dele em cativeiro. Normalmente este grupo ficava na casa do gerente, mantendo ele e a família incomunicável durante toda a noite. Do lado de fora permaneciam os “seguranças” do bando que faziam a vigilância no entorno da casa das vitimas, devendo avisá-los se houver movimentação policial nas imediações.

Conforme a investigação, o pastor evangélico era responsável por acompanhar o gerente até o banco, no dia seguinte à tomada de reféns, e pegava todo o dinheiro disponível. Os reféns só eram liberados depois desse processo.

A última célula da quadrilha tinha como atribuição o plano de fuga, pela garantia da guarda dos valores até serem divididos, da forma acordada previamente, bem como responsáveis pela guarda das armas do bando e pelos locais de encontro para planejamento dos crimes.

Líder preso

No dia 12 de julho os policiais do Tigre chegaram até Ronei Goes Camargo. Ele foi preso em Curitiba juntamente com Dhonata Marques dos Santos. Os dois foram reconhecidos pelas vítimas do sequestro ocorrido na cidade de Matinhos. Com eles foram apreendidos um revólver calibre 38 com numeração raspada, R$ 180 mil e três veículos adquiridos com o dinheiro roubado. Os dois assumiram ter participado do crime em Matinhos. Com o dinheiro foi possível identificar, pela numeração coletada, a origem comprovada no sequestro de Matinhos.

A dupla entregou outros dois comparsas da quadrilha: Liude Meneis da Silva e Rodrigo Pedroso de Moraes — ambos também reconhecidos pelas vítimas em Matinhos. Os dois suspeitos já haviam sido presos em 2014 por roubo a instituições financeiras. Liude foi detido pelo Tigre no início desta semana juntamente com a esposa Lorena Calixto na cidade de Foz do Iguaçu. Com os dois foram apreendidos R$ 69 mil um veículo modelo Fiat Argo, um fuzil calibre 556 utilizado durante os crimes, bem como uma pistola no calibre 9mm, farta munição e 3,8 quilos de crack. A droga era comprada com dinheiro dos sequestros e revendida, aumentando assim os rendimentos da quadrilha.

Foragidos

Moraes segue foragido, assim como outros quatro integrantes da quadrilha: Patrick Leonardo Correa Krutqueviski, Cleverson Camargo Gonçalves (conhecido como Cré ou Gordo) e Luiz Alexandre Canestraro, vulgo “cachorrão”.

O Tigre suspeita ainda que a quadrilha esteja envolvida com roubos de veículos, venda de entorpecentes e até homicídios.

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