terça-feira, 23 de outubro de 2018

Bolsonaro promete fim do “coitadismo” de negro, gay, mulher e nordestino

Em entrevista, candidato diz que "tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do Nordestino, coitado do piauiense. 
Por João Pedro Caleiro
Exame

Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, prometeu acabar com o “coitadismo” de alguns grupos da sociedade.

A entrevista para a TV Cidade Verde, do Piauí, foi concedida do seu apartamento no Rio de Janeiro ao jornalista Joelson Giordani no sábado (20) e divulgada nesta terça-feira (23).

Diante de uma pergunta sobre violência dentro das escolas, Bolsonaro fala da necessidade de reafirmar a autoridade do professor.

Ele então voltou a classificar como “kit gay” e estímulo à sexualização da infância o material de combate à homofobia do Ministério da Educação desenvolvido em 2011.

A cartilha, aprovada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pelo Conselho Federal de Psicologia, nunca trouxe representações de crianças mantendo relações sexuais e não chegou a ser distribuída.

Quando o jornalista aponta que “o preconceito existe e precisa ser combatido”, Bolsonaro afirma que quando era pequeno “não tinha essa história de bullying, o gordinho dava pancada em todo mundo, hoje o gordinho chora”.

Ele completa que “não tem que ter uma política” específica e faz a listagem: “Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do Nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso”.

O candidato já disse em entrevista em vídeo que é “homofóbico, com muito orgulho” e que preferia ter um filho morto a um filho homossexual, entre outras declarações homofóbicas ao longo dos anos.

Em uma palestra no ano passado, no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, o então deputado disse que ao visitar um quilombo constatou que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais”.

Uma denúncia de racismo foi protocolada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) mas não foi aceita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Sobre as acusações da Folha de São Paulo de que empresários estariam pagando para enviar disparos em massa no WhatsApp em seu favor, Bolsonaro disse na entrevista divulgada hoje que foi uma “matéria plantada” de “um jornal que não tem qualquer compromisso com a verdade”.

Ele negou que seu histórico de declarações agressivas em relação ao PT signifiquem prejuízo à sua relação com o governador eleito pelo partido no estado do Piauí, Wellington Dias.

“Não podemos prejudicar o povo do Piauí, qualquer estado que seja, porque tem um governador que não se alinhe ideologicamente  conosco. Vamos tratar todos os estados de forma republicana”.

Veja a entrevista completa:

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