sábado, 17 de novembro de 2018

“A Justiça mostrou que esse país mata com a lei na mão”, diz especialista em políticas sociais, sobre Lula


O assistente social Marcelo Reis Garcia, especialista em políticas sociais, com trabalhos desenvolvidos para administrações de PSDB e DEM, escreveu depoimento emocionado a respeito do interrogatório do ex-presidente

Marcelo Reis Garcia, assistente social e especialista em políticas sociais, que prestou serviço em gestões de Antônio Anastasia (PSDB) e César Maia (DEM), publicou um texto emocionado em sua página, defendendo o ex-presidente Lula, depois do interrogatório a que foi submetido com a juíza substituta Gabriela Hardt. Acompanhem o texto:

Luiz Inácio Lula da Silva

O ex-presidente está preso há 7 meses. Preso sem provas concretas. Os delatores estão soltos e morando em suas mansões. Só votei em Lula uma única vez na vida (segundo turno de 1989). Mas separei quase 3 horas do meu dia e assisti ao depoimento de Lula para a nova Juíza do caso Lava Jato.

Em nenhum momento foi apresentado uma única prova de que o sítio de Atibaia era dele. Muito ao contrário, as provas mostravam que não era dele.

Eu repito: assisti atentamente.

Não foi apresentado uma única prova. Nenhuma prova que o sítio fosse dele.

Ele frequentava o sítio como eu já frequentei casa de vários amigos.

Ontem tive muito respeito por Lula:

Ex-presidente da República que deixou o governo com 90% de aprovação, que teve um câncer 1 ano depois, 73 anos, viúvo há a quase dois, preso há 7 meses sem uma única prova concreta do triplex do Guarujá e ele buscando por vida e justiça.

Poderia ter saído do país e estar exilado, mas foi se entregar na Polícia Federal do Paraná e cumpre uma pena de 10 anos sem que uma única prova seja real.

Enquanto isso, Temer é Presidente da República e Padilha e Moreira são ministros.

Podem me vaiar, bloquear ou me expor ao inferno, mas Lula é sim um preso político.

O PT cometeu erros enormes, mas os demais partidos também. Mas o troféu que queriam era Lula.
  
Fiquei triste em ver o que a Justiça pode fazer com um brasileiro. A Justiça pode matar, prender e calar uma voz. Lula está preso e em silêncio. Está velho e frágil, mas manteve em todo depoimento argumentos sólidos sobre sua situação e sabe que o tempo será cruel com ele.

No final do depoimento, chorei pelo Brasil e vi que quando a classe média e a elite minoritária desse país se sentem ameaçadas elas usam da legalidade para reverter o jogo e voltar ao poder.

Tenho 49 anos e tive a sensação que veremos Lula sair no caixão da prisão e aí a história será de fato contada e compreendida. Aí virão monumentos, homenagens e tudo mais.

Lula quer a vida dele de volta. Lula não quer ser um herói morto. Quer ser um político vivo e com voz. Tenho quase certeza que não vai conseguir.

A Justiça mostrou pra mim que esse país mata com a lei na mão e que a lei é uma interpretação. No caso de Lula, uma interpretação de pena de morte.

Lula vai morrer na cadeia.

E o que mais me assusta é que é justamente isso que a minoria que comanda s desigualdade no Brasil quer.

Marcelo Reis Garcia

Com informações da Revista Fórum

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