domingo, 13 de janeiro de 2019

Imagens do dia: Caminhada por justiça e jogos beneficentes marcam homenagem a jovens mortos na zona rural de São Luís


Moradores dos povoados Mato Grosso e Coquilho, na zona rural de São Luís, fizeram, neste domingo (13), homenagens aos três jovens assassinados a tiros nas proximidades do Residencial Minha Casa, Minha Vida.

Na parte da manhã e início da tarde, foi realizado um torneio de futebol beneficente, com o objetivo de arrecadar alimentos para as famílias dos jovens. Por volta de 16h, centenas de pessoas participaram de uma caminhada por Justiça, cobrando que todos os envolvidos na chacina sejam identificados e presos.
Cerca de 300 camisas brancas, com as fotos dos três jovens, foram distribuídas aos participantes da caminhada, que percorreu as ruas principais das duas comunidades.

A reportagem do blog esteve na área do Minha Casa, Minha Vida, onde os jovens foram assassinados. A segurança do local agora é feita por vigilantes contratados pela empresa na própria comunidade. As duas carcaças de ônibus, incendiados em protestos no dia em que os corpos foram encontrados, continuam na entrada da obra, que foi embargada pela justiça.
Estivemos também na casa de um dos jovens, Joanderson Diniz. A mãe, ainda abalada, disse que o filho ajudava no sustento da casa e que era muito carinhoso. Ela lembra que ficou sem o marido muito cedo e luta para criar os filhos sozinha.

“Sempre lutei para criar bem meus filhos, mesmo sem o marido e com muitas dificuldades. Meu filho nunca andou armado e nem se envolveu em crime. Só passava nessa área para tomar banho no açude ou pegar caranguejo. Ali sempre foi passagem da comunidade. O problema é que um segurança disse que não ia com a cara dele, mesmo sem meu filho ter feito nada pra ele. O que fizeram foi covardia e quero justiça”, disse a mãe de Joanderson.

A família mora em uma casa de taipa, em condições precárias e sem móveis. Ao lado, tem uma construção de alvenaria abandonada há alguns anos. Ela disse que o objetivo é concluir a casa, mas está sem condições e espera contar com ajuda para concretizar o sonho de ter uma moradia em melhores condições.

Segundo informações do avô de um dos jovens, na última sexta-feira (11) foi feita a reconstituição da chacina, que contou com um forte aparato de segurança.
A chacina

Os jovens Gildean Castro Silva, de 14 anos, Gustavo Feitosa Monroe,18, e Joanderson da Silva Diniz, 17, foram assassinados em uma região de mato no bairro Coquilho, zona rural de São Luís. Os corpos foram encontrados na manhã de sexta-feira (04). A princípio, segundo a polícia, todos foram mortos por arma de fogo com tiros na nuca. O crime teria sido cometido por seguranças de uma empresa contratada pela K2 Engenhaira, responsável pela obra.

Um PM preso e dois ouvidos

O policial militar Hamilton Caires Linhares foi preso na manhã de segunda-feira (7) por suspeita de participação no triplo homicídio dos três jovens.

Segundo a Polícia Civil, o PM confessou que perseguiu os meninos e deu um tiro para cima para assustá-los, mas negou a autoria do crime. Ele disse ainda que perdeu a própria arma e que usou uma arma emprestada pelo PM João Inaldo.
Na quarta-feira (9), foi ouvido o policial militar João Inaldo Corrêa Júnior por ser o suposto dono de uma arma usada para dar um tiro para cima no dia do crime. Após o depoimento, o PM foi liberado.

Na terça (8), a polícia já tinha ouvido o depoimento de outro PM identificado apenas como Leonardo, além de um agente penitenciário. Eles faziam a vigilância armada de um condomínio em construção na região, onde os meninos chegaram a ser vistos com vida um dia antes do crime.

As primeiras investigações apontam que os três jovens teriam sido perseguidos no interior do condomínio ‘Minha Casa, Minha Vida’, pela equipe de vigilância do local. As vítimas teriam sido torturadas e levadas para um matagal, a 2 km da obra, onde foram executadas.

Os depoimentos das testemunhas afirmaram que os jovens estavam indo para uma área de banho próximo ao condomínio. Não existe comprovação eles teriam envolvimento com algum delito. Os mesmo estavam desarmados e foram executados com as mãos na cabeça, além de serem observados hematomas, que podem indicar tortura antes das execuções.

A equipe de vigilância do local já vinha tendo uma série de conflitos com os moradores da região, que usavam as dependências do condomínio para ter acesso ao mangue, de onde também tiravam caranguejos.

Veja vídeos da reportagem do blog

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