segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Requerimento de Márcio Jerry convocando general é fundamental para conter abusos próprios da ditadura militar

O deputado federal Márcio Jerry quer convocar o general Augusto Heleno para esclarecer   espionagem contra a CNBB e em quer a pauta da Igreja ameaça a soberania nacional

Por Raimundo Garrone

O deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) deve protocolar na Câmara Federal requerimento convocando o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Augusto Heleno Ribeiro, para prestar esclarecimentos sobre a espionagem política da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, organismo permanente que reúne os bispos católicos no Brasil.

A iniciativa do deputado maranhense é relevante para mostrar ao general que no papel de ministro ele é obrigado a se submeter às decisões da Câmara, caso o requerimento seja aprovado, e apresentar explicações da espionagem do governo às atividades da CNBB e ao Sínodo da Amazônia que a Igreja Católica de todo o mundo realizará em outubro em Roma.

O requerimento do deputado maranhense também será um teste para o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM), reeleito para o cargo com o apoio do PCdoB e do PDT, diante desse grave atentado às liberdades individuais.

Maia é fundamental para a aprovação do requerimento diante de um plenário, cuja a maioria tende a defender o governo Bolsonaro e pouco se importa com a proteção efetiva da Amazônia, de quilombolas e de índios ameaçados pela insanidade bolsonarista.
Padres enfrentam a cavalaria militar durante a missa de sétimo dia do estudante Edson Luís de Lima Souto assassinado em março de 68 por um policial durante manifestações no Rio

Ou se contém o general agora ou ninguém mais conseguirá evitar a inaceitável volta da doutrina de segurança nacional da ditadura, como bem alertou o governador do Maranhão, Flávio Dino.

Em nota divulgada no domingo, o GSI revelou a preocupação com alguns pontos da pauta do Sínodo e que parte dos temas “tratam de aspectos que afetam, de certa forma, a soberania nacional”.

O general trata a Igreja Católica como uma inimiga interna não só pela possibilidade de liderar a oposição às propostas do governo contra os interesses da população mais pobre do País, mas também pelo papel fundamental que ela desempenhou na luta contra à ditadura militar e na defesa dos direitos humanos.

Nas palavras do saudoso arcebispo de Olinda, dom Helder Câmara, a explicação para o comportamento do general com as pautas sociais defendidas pela CNBB:

“Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista”.

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