segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Comando da PM manda apurar vídeo gravado por militares mostrando policial internada no Nina Rodrigues; ela foi agredida pelo coronel Terra e sofre de depressão

Coronel Pedro Ribeiro, comandante da PM
O comandante Geral da Polícia Militar do Maranhão, coronel Pedro Ribeiro, informou para a direção do Hospital Nina Rodrigues que mandou apurar episódio em que PMs fizeram um vídeo mostrando a policial Alexsandra Alvares, de 25 anos. Ela está internada para tratamento de saúde por sofrer de depressão e ter tentado suicídio. 

A policial passou a apresentar problemas de saúde depois de foi agredida pela coronel Terra nas dependências do Comando Geral da PM.

Para evitar a tentativa de exposição da paciente e do hospital, o coronel diz em comunicado que mandou instaurar processo administrativo disciplinar. Confira abaixo o comunicado:

Sobre o vídeo gravado por um PM e a situação da policial 
A policial Alexsandra Figueiredo Alves, vítima de agressões dentro do Comando Geral da PM do Maranhão, em junho de 2017, está passando por tratamento no Hospital Nina Rodrigues e enfrenta dificuldades financeiras. A revelação foi feita em um vídeo compartilhado pelo soldado Aires em grupos de WhatsApp.

No vídeo, como se estivesse sob efeito de medicamentos fortes, Alexsandra diz apenas “oi gente, como vai” e acena com uma das mãos. O PM Aires chega a perguntar se ela autoriza que ele a mostre na gravação.

A policial foi agredida pelo coronel Marco Antônio Terra Schutz na madrugada do dia 1º de junho de 2017. Ele está respondendo a um Inquérito Policial Militar (IPM) por essa agressão. O inquérito é presido pelo coronel Pedro Ribeiro, atual comandante da PM.

Uma jornalista, ao compartilhar o vídeo, pergunta o porquê de esse caso de agressão contra a PM não ter sido mais explorado pela mídia.

“Gostaria de saber dos senhores, tanto policiais quanto jornalistas, se tem conhecimento da situação da soldado Alexsandra? A mesma registrou ocorrência, naquela época, contra o Coronel  Terra. Deixo aqui alguns questionamentos, o que houve com ele? Como está o processo? A realidade desta moça é de dar dor no coração. Está internada no Hospital Nina Rodrigues e pouco vejo na mídia a respeito disso. Trago aqui publicamente, aos colegas jornalistas, a sugestão de que façam uma investigação a respeito deste caso, que tem passado despercebido diante da mídia. Essa moça vai morrer a míngua mesmo, diante dos nossos olhos, sem que possamos pelo menos saber em que pé anda essa situação?”, questiona a jornalista, que preferiu não ser identificada nesta postagem.

Tentativas de suicídio

A PM estaria sofrendo de depressão profunda e já tentou se suicidar. A primeira tentativa de suicídio na sua própria casa, tomando uma cartela de remédio e em seguida a tentativa de enforcamento na sede do quartel da PM, no Calhau. Levada ao Hospital Nina Rodrigues, ficou largada, sem assistência da corporação. No dia 03 deste, cortou os pulsos e foi internada.

Dentro do próprio hospital, novas tentativas de suicídio, com remédios antidepressivos, usando a jaqueta e até com um lençol. Familiares reclamam que Alexsandra deveria estar em um lugar mais adequado, mas não tem condições financeiras para bancar as despesas, remédios tarja preta, seu aluguel de onde mora, além de dívidas contraídas junto ao Banco do Brasil oriundos de empréstimos.

Familiares reclamam do local onde a PM se encontra e precisam de ajuda para comprar medicamentos

Familiares reclamam que Alexsandra deveria estar em um lugar mais adequado, mas não tem condições financeiras para bancar as despesas, remédios tarja preta, seu aluguel de onde mora, além de dívidas contraídas junto ao Banco do Brasil oriundos de empréstimos.

Um grupo e amigos da PM passou a visitar a paciente, o que não vem agradando a direção do Nina Rodrigues e até o aparelho de Alexsandra foi tomado para evitar filmagens que possam expor as condições precárias do hospital.

Ela espera contar com a compreensão e ajuda para enfrentar os problemas e sair dessa situação de sofrimentos. Quem quiser ajudar, basta contribuir na conta abaixo:

BANCO DO BRASIL
Agência: 5665
Conta Poupança: 493201
Variação: 51
Alexssandra Figueiredo Alves

Sobre a agressão

À época, de acordo com o coronel Luongo, então comandante da PM, o coronel Terra Schutz, que é gaúcho, e a soldada Alexandra mantinham um relacionamento extraconjugal tumultuado, e, após uma duas novas brigas, por volta de 2h e 2h30 da madrugada do dia 1º de junho de 2017, próximo ao retorno do Calhau e na praia do Olho d’Água, o coronel e Alexandra se dirigiram ao quartel e lá, em nova discussão, o oficial fez um disparo para o alto e desferiu “dois tapas no rosto” da namorada. O entrevero foi presenciado por policiais militares que estavam de plantão no quartel.

A soldada Alexandra prestou depoimento na Delegacia da Mulher e o coronel Terra Schtz, que se encontrava em estado de embriaguez alcoólica, foi para casa se apresentou à tarde no quartel.

Terra Schultz, à época da agressão, era comandante do Policiamento de Área do Interior (Bacabal e Pedreira). A soldada Alexandra trabalhava administrativamente no Comando de Policiamento do Interior.

O coronel Terra era casado e estava momentaneamente separado da esposa e morava, há aproximadamente 15 dias, no quartel do Calhau.

Antes dos incidentes com a soldada, ele estava assistindo a um jogo de futebol com o filho, pela televisão, na casa da ex-mulher, onde ingeriu bebida alcoólica.

Terminado o futebol, fez contato com a soldada e a apanhou em uma pousada nas proximidades do Coco Bambu, no Calhau. Como estavam em dois carros, deixaram o veículo dela no comando geral e saíram no dele. Pouco depois, já fora do quartel, tiveram a primeira discussão, ainda na área do Calhau. De lá seguiram para a praia do Olho D Água, onde voltaram a discutir mais acirradamente.

O coronel deixou a soldada e rumou para o quartel, onde estava residindo. Com apoio de um militar que a encontrou, ela também se dirigiu ao comando geral, onde houve a terceira confusão com o disparo para o alto e os dois tapas na vítima.

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