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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Odebrecht paga R$ 24,5 milhões em 12 estados para conseguir contratos de saneamento básico

A empresa chegou a financiar campanhas de candidatos rivais e a distribuir pagamentos em cidades com menos de 20 mil habitantes na tentativa de fechar acordos para a Odebrecht Ambiental.
A Odebrecht chegou a financiar campanhas de candidatos rivais
da Revista Época

A Odebrecht pagou pelo menos R$ 24,5 milhões por meio de propina e caixa dois para políticos de 12 estados do país com o propósito de conseguir contratos na área de saneamento básico. A empresa chegou a financiar campanhas de candidatos rivais e a distribuir pagamentos em cidades com menos de 20 mil habitantes na tentativa de fechar acordos para a Odebrecht Ambiental. A empresa foi vendida para um grupo canadense no fim do ano passado.

Só no Pará, a empresa doou R$ 1,5 milhão em 2014 ao ministro Helder Barbalho (PMDB-PA), então candidato ao governo, o senador Paulo Rocha (PT-PA) e o ex-prefeito de Marabá, João Salame (PROS-PA).

Os repasses “funcionariam como contrapartida a interesses do grupo Odebrecht no estado, notadamente na área de saneamento básico, espaço em que almejava atuar como concessionária”, segundo despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin que autorizou abertura de investigação.

Barbalho nega que tenha cometido irregularidades.

Ainda de acordo com os delatores, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) recebeu R$ 800 mil em 2014, na sua campanha ao governo da Paraíba, “com a expectativa de receber futura contrapartida e de realizar obra de saneamento naquele estado”. Em vídeo postado nas redes sociais, o tucano alegou que só recebeu doações legais da Braskem, braço petroquímico da Odebrecht.

Outro senador acusado de receber R$ 800 mil via caixa dois é o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTN-AL). Segundo dois delatores, quando concorreu ao governo de Alagoas, em 2010, Collor solicitou vantanges indevidas após ouvir de executivos da Odebrecht Ambiental que a companhia tinha interesse em fazer parcerias público-privadas na área de água e esgoto. Collor nega as acusações.

No Tocantins, onde a Odebrecht Ambiental é responsável pelo saneamento em 49 cidades, o presidente da concessionária, Mário Amaro, delatou ter feito doações não-contabilizadas a nove políticos do estado em 2012 e 2014. O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é acusado de ter intermediado pagamentos em nome do interessa da companhia ao governador Marcelo Miranda (PMDB-TO) e do deputado estadual Junior Coimbra (PMDB-TO).

Os pedidos de inquéritos de Tocantins não revelam valores distribuídos aos políticos dos estados. Cunha também é citado nos pedidos de inquérito como responsável, junto a outras autoridades locais, por “garantir o interesse do Grupo Odebrecht em contratos do setor de saneamento de municípios do Rio de Janeiro”.

Em São Carlos, no interior de São Paulo, a empresa doou, em 2012, R$ 150 mil para Paulo Roberto Altomani (PSDB) e R$ 350 mil para Oswaldo Baptista Duarte Filho (PT), pois ambos os candidatos à prefeitura ofereceram “como contrapartida ao pagamento a privatização dos serviços de água e esgoto do município”. O candidato tucano foi eleito, mas a Odebrecht Ambiental não foi contratada.

A empresa adotou o mesmo expediente em Mauá, na Grande São Paulo, onde já é responsável pelo serviço de água e esgoto. Em 2012, a Odebrecht gastou R$ 1 milhão com Donisete Braga (PT) e Vanessa Damo (PMDB), que disputaram o segundo turno. Até a pequena Santa Gertrudes, que tem 27 mil habitantes entrou no esquema de distribuição de dinheiro não contabilizado da empresa, que repassou R$ 120 mil a Valtimir Ribeirão e R$ 10 mil a Gino da Farmácia.

Os delatores também relataram pagamentos em troca de vantagens na área de saneamento em Bahia, Goiás, Santa Catarina, Sergipe, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Em nota divulgada na terça-feira, a Odebrecht informou que “após a colaboração dos executivos e ex-executivos”, a empresa “reconheceu seus erros, pediu desculpas públicas e assinou um Acordo de Leniência com as autoridades brasileiras e da Suíça, e também com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos”.

A empresa diz estar fazendo sua parte ao adotar “um novo modelo de governança” e implantar “normas rígidas de combate à corrupção, com vigilância permanente para que todas as suas ações, principalmente na relação com agentes públicos, ocorram sempre dentro da ética, da integridade e da transparência”.

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