quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Plantador de soja cerca propriedade ilegalmente e faz ameaças contra idosos em Buriti; ele já havia despejado veneno em comunidade de Brejo

Um plantador de soja acusado de despejar chuva de veneno na comunidade Araçá, em Brejo, apareceu na comunidade Carranca, em Buriti, nessa quarta-feira (1º), para cercar o território e ameaçar pessoas idosas.

Pelas informações passadas pelo secretário de Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, ele estava com máquinas e acompanhado de outros homens, que seriam seguranças. “Sem apresentar qualquer decisão judicial, sem a presença de oficial de justiça, este senhor decidiu usar as próprias razões e a força para fazer valer seus interesses financeiros sobre a vida de toda uma comunidade. É o que representa de pior no campo brasileiro.”, disse o secretário nas redes sociais.

O secretário acrescenta que a Comissão Estadual de Prevenção à Violência no Campo e na Cidade (COECV) solicitou à Segurança Pública e ao Ministério Público a abertura de processo para investigar os possíveis crimes praticados pelo sojicultor.

Confira a íntegra do relato feito pelo secretário

O mesmo sojicultor acusado de despejar chuva de veneno na comunidade tradicional Araçá, em Brejo, hoje apareceu na comunidade tradicional Carranca, em Buriti, com homens, máquinas e segurança privada, cercando ilegalmente o território e intimidando pessoas idosas.

Sem apresentar qualquer decisão judicial, sem a presença de oficial de justiça, este senhor decidiu usar as próprias razões e a força para fazer valer seus interesses financeiros sobre a vida de toda uma comunidade. É o que representa de pior no campo brasileiro.

A COECV solicitou à Segurança Pública e ao Ministério Público a abertura de processo para investigar os possíveis crimes praticados por este sojicultor. Nós continuaremos ao lado das comunidades tradicionais do nosso Estado e combatendo as arbitrariedades que lamentavelmente ainda são praticadas contra nosso povo.

Após pulverização e queimadura em menino, fazendeiros foram multados

O menino André Lucas, de 7 anos de idade, sofreu graves queimaduras por todo o corpo em razão da pulverização de agrotóxicos sobre roças e casas na comunidade de Araçá, no município de Buriti, no estado do Maranhão.

Com a repercussão nacional e internacional do caso, foram realizadas reuniões no local e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) informou que os responsáveis pela Fazenda São Bernardo, Belém e Brejão, propriedades da família de sojicultores Introvini, "não possuíam licenciamento ambiental da atividade de pulverização aérea, o que motivou embargo da atividade e também auto de notificação e infração no valor de 273 mil reais".

Além de Araçá, onde vive o menino André Lucas, as comunidades de Carranca, Capão, Belém, Angelim, Cacimbas, Mato Seco, Brejinho e Baixão também são afetadas pela pulverização e outros impactos como problemas ambientais e a precarização das condições de vida e trabalho de famílias camponesas.

A partir do dia 21 de abril, lideranças do povoado de Carranca e Araçá, com o suporte do Programa de Assessoria Rural da Diocese de Brejo (PAR) e da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão (Fetaema), assumiram a missão de fazer chegar a todas as autoridades de fiscalização e controle, bem como movimentos populares ligados ao campo, os impactos sofridos pelas comunidades em razão do lançamento de agrotóxicos sobre o plantio de soja da Fazenda São Bernardo, no município de Buriti (MA), por vias terrestres e aéreas.

Família Introvini

Gabriel Introvini é o matriarca da família Introvini, composta por produtores tradicionais na cultura do algodão no Mato Grosso do Sul, que desde 2003 investe no plantio de soja no município de Buriti, na mesoregião leste do Maranhão.

Em consulta online, constam mais de 250 registros envolvendo o nome da Fazenda São Bernardo, que vão desde as denúncias por pulverização de agrotóxicos até desmatamento ilegal e tentativas de apropriação de áreas de comunidade quilombola e extrativista.

Relatório do observatório sobre o agronegócio no Brasil, “De olho nos ruralistas”, Gabriel Introvini compõe a lista dos maiores multados no Pantanal nos últimos 25 anos, com as mais expressivas autuações por desmatamento emitidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Matéria produzida pelo observatório destaca que o sojicultor recebeu uma multa de R$ 1.498.100,00 por desmatamento em Coxim (MS), em abril de 2006. No mês seguinte, uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Militar impediu o desmatamento de uma área de 512 quilômetros em Buriti, alvo de conflitos até hoje.

Atualmente, o Fórum Carajás denuncia o desmatamento de cerca de mil hectares de terra, suspeitas de grilagem em Buriti, por parte da família Introvini. Considerada a última grande área de Cerrado no município, o desmatamento impacta diretamente a bacia do Rio Munim, um dos mais importantes da região do baixo Parnaíba.

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2 comentários:

  1. CADÊ O MINISTERIO PUBLICO?
    CADEIA NELES.

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  2. Maranhão bom, vai um Maranhense fazer isso em Mato Grosso do Sul, ai vem essas lazeiras bagunçar aqui. Cadeia neles, multa neles.

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