segunda-feira, 9 de março de 2009

DUELO DE TITÃS: HAROLDO SABÓIA E AZIZ SANTOS EM ROTA DE COLISÃO

O ex-vereador Haroldo Sabóia continua destilando todo o seu veneno para cima do Secretário de Planejamento Aziz Santos. Muitos aliados sempre reclamaram, nos bastidores, que o problema maior do governo é que nada acontece no governo da Libertação se não passar pelas mãos do Secretário. É ele quem tem a palavra final em muitas das decisões tomadas pelo governo. Essa concentração de poder desperta a ira de muitos governistas. Apesar de indiginados, poucos tiveram coragem de partir para o confronto aberto, opondo-se à essa concentração de poder.

Aziz tem como desafetos Aderson Lago, Roberto Rocha, Domingos Dutra, Julião Amin e tantos outros próceres da Frente de Libertação. Haroldo Sabóia não está sozinho. Tem o aval de uma banda forte do governo e não está para brincadeira. Se Jackson conseguir prolongar seu mandato por mais algum tempo, como prevêem seus advogados, vai ter que fazer uma reformulação profunda no governo. Nota-se claramente que muitos dos auxiliares contibuíram para o desgaste do governo. Um exemplo foram os embates com os professores e policiais civis.

Um desgaste desnecessário que poderia ter sido evitado se o próprio governador tivesse assumido o comando das negociações. Deixou nas mãos de secretários inábeis para lidar com a situação. Pecou, no mínimo, por omissão. Quem foi eleito para exercer o mandato de governador foi Jackson. Nele foi depositada a confiança da maioria do eleitorado maranhense. Ninguém elegeu secretário para exercer o mandato de governador. Em suma, é isso que Haroldo Sabóia quer dizer.

Talvez Haroldo Sabóia teria dado uma contribuição maior ao governo da libertação se tivesse feito esses desabafos e declarações há mais tempo. Agora, o tempo é exíguo. Ele diz que o tempo é agora. Eu digo: o tempo foi ontem. Como diz o ditado popular "agora Inês é morta" (A expressão vem de uma história na qual um nobre quer se casar com Inês, porém, já era tarde demais, pois ela já estava morta). No drama da libertação 'Inês' é a esperança que o povo despositou no governo e que pode estar morta.
Confira mais uma das detonações de Haroldo Sabóia para cima de Aziz Santos, publicadas no Jornal Pequeno desta segunda-feira:

'NÃO PERGUNTE PELO TEMPO, POIS O TEMPO É AGORA'

Jornal Pequeno
Edição de 09 de março de 2009

Haroldo Sabóia

Entre os vários comentários que recebi a propósito do artigo "Aziz tem que sair para que Jackson e o povo possam ficar" destaco, pela importância política, aqueles que discutem sua oportunidade.

Recuso a tese da inexorabilidade do afastamento do governador por acreditar na possibilidade real de reversão do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral.

Vale lembrar que das 11 acusações constantes da Ação Contra a Expedição de Diploma: seis foram afastadas pelo próprio relator; três rejeitadas por ampla maioria (os casos de Grajaú, São Luis e Imperatriz); apenas duas (suposto abuso de poder em Codó e Pinheiro) foram acolhidas por quatro votos contra três.

Votaram favoravelmente a estas acusações, seguindo o relator Eros Grau, os Ministros Félix Fisher e Fernando Gonçalves. E contra, os ministros Ricardo Levandowsky, Marcelo Ribeiro e Arnaldo Versiani. Configurado o impasse, 3 x 3, o presidente Ayres Brito, visivelmente atônito, profere o voto-desempate com embasamento extremamente confuso.

A capa da revista Carta Capital desta semana com enorme foto de Sarney e o título "SENHOR DO MARANHÃO, REI DO TAPETÃO, confirma que o velho coronel está fragilizado pelas circunstâncias vergonhosas em que foi eleito presidente do Senado e, ainda mais, pelo processo que transformou o seu filho Fernando em cidadão sob suspeita, em liberdade graças ao expediente de um salvo conduto.

Roseana e seus aliados proclamavam que ganhariam no TSE por 7 x 0. Embora muitos dos áulicos escribas do sistema mirante e satélites, entre estes alguns provisionados, insistam que o resultado foi de 5 x 2, na realidade foi de 4 x 3.

O julgamento dos prováveis recursos (denominados embargos) será o momento apropriado para aprofundar a discussão acerca da pertinência ou não da tese vencedora. As viagens do Presidente Lula - em campanha aberta pela candidatura da ministra Dilma - só fazem escandalizar o equívoco da decisão do TSE.

Argumentam que na ocasião o ex-governador José Reinaldo assinou convênio com a Prefeitura municipal em praça pública o que caracterizaria abuso de poder político. Pois bem, na sexta no Espírito Santo ao inaugurar escolas técnicas federais, o presidente Lula, ao lado da ministra Dilma, defendeu com todas as letras a "eleição de uma mulher presidenta, pois as mulheres representam 52% da população brasileira". Estes episódios com certeza influenciarão os ministros do TSE.

Por outro lado, a grande imprensa tem denunciado que o processo contra Jackson Lago e seis outros governadores, no seu conjunto, fortalecem sobremaneira o PMDB na mesa de negociações da sucessão de Lula, enfraquecendo o PT e seus aliados históricos, em especial o PSB.

Lutamos contra o tempo, é verdade. Mas podemos vencer. E venceremos! Mas não seremos vitoriosos nos tribunais se não ganharmos a batalha da opinião pública. Reverter o quadro de apatia da classe média, dos pequenos e médios empresários e comerciantes, dos estudantes, dos intelectuais, dos funcionários públicos - professores e policiais, especialmente. E é esta batalha que exige - como primeiro passo, repito - o afastamento do Secretario de Planejamento, Aziz Santos.

Sua permanência no governo, por si só, já é suficiente para quebrar, estiolar, o ânimo de resistência e o espírito de combatividade, tão necessários.
Queiram ou não os seus próximos, Aziz simboliza os equívocos e erros cometidos em relação a essas categorias e ao conjunto da sociedade.
Queiram ou não os intimidados, Aziz representa o que há de mais conservador em um governo que tem por destinação histórica a transformação democrática da sociedade e do Estado, jogando no lixo os métodos e os valores da oligarquia derrotada em 2006.

Queiram ou não os ingênuos - e isto é público e notório - Aziz é preservado, poupado, sistematicamente pela imprensa e pelos blogues dos sarneys e dos murads. A mesma imprensa e os mesmos espaços que atacam furiosamente, dia e noite, o governador Jackson. E se, eventualmente, o criticam, o fazem com luvas de pelica, como se mera encenação fosse.

Temos que ousar. A decisão do TSE, passível de reforma, questionada pela imprensa nacional, não pode em absoluto paralisar a administração pública maranhense. O governo tem que prosseguir como se fosse o primeiro dia de mandato, com autoridade e pulso.

Fazer hoje o que por impossibilidade ou incapacidade não fizemos ontem. Lembremos dos versos de Renato Teixeira, cantados por Xangai:
"Não pergunte pelo tempo, pois o tempo é agora, o futuro na luz da manhã não demora"

O tempo de lutar é agora.

O futuro na luz da manhã só está a esperar a saída do governo de Sua Excelência, o Secretário de Planejamento.

Que o senhor Aziz Santos - preservando o governador eleito e o cidadão Jackson Lago - em gesto de grandeza tenha a iniciativa de fazê-lo. Sem demora!

Haroldo Saboia, 58 anos, economista, advogado, Constituinte de 1988. E-mail: haroldosaboia@hotmail.com

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