A Federação de Desenvolvimento das
Organizações do Terceiro Setor no Maranhão, Fedecma, antiga federação das Escolas comunitárias do Maranhão, comandada pela mãe do
suplente de deputado Weverton Rocha, recebeu um grande volume de recursos do
Ministério do Trabalho, com objetivo de capacitar jovens em todo o Maranhão.
“Quando vinha ao Maranhão, o ministro
Carlos Lupi costumava fazer reuniões na casa do Weverton, com a participação da
mãe dele, Marileide Rocha, tratando da questão de convênios com a Fedecma”, diz
Araújo, líder comunitário do bairro Coroadinho.
Ele aproveita para questionar
sobre o destino dado a equipamentos comprados com recursos repassados a
entidade. “Eu sei que chegaram mais de mil televisores de 42 polegadas, além de
centenas de computadores e outros equipamentos. Pra onde mandaram tudo isso,
depois que o governador Jackson Lago foi cassado?”, pergunta Araújo, em
participação no programa “Comando da Noite”, da Rádio Capital AM.
Em 20 de fevereiro de 2008, o jornal
Folha de São Paulo publicou matéria que revelava repasses milionários a entidades ligadas ao PDT.
No Maranhão o destaque foi para a FEDECMA, comandada por Marileide Rocha.
Confira o teor dessa matéria.
Ministério do Trabalho favorece o
PDT
Jornal
denuncia que ONG de mãe de Weverton receberá R$ 3,1 milhões
Por
Fernando Canzian
Da
Folha de S. Paulo
O Ministério do Trabalho e Emprego
aprovou repasse de R$ 50 milhões a pelo menos 12 entidades ligadas ao PDT para
realizar treinamento de jovens em vários Estados do país.
O presidente do PDT é o ministro do
Trabalho, Carlos Lupi, e seu partido é o maior beneficiado. O ministério
aprovou 30 convênios, em um total de R$ 111,5 milhões. Mas quase a metade do
dinheiro seguirá para 12 entidades apenas, todas relacionadas ao PDT.
Alguns dos dirigentes das entidades que
estão recebendo os recursos são parentes, doadores de campanha ou amigos dos
políticos do PDT que fizeram os pedidos de verba. Outras organizações são
chefiadas pelos próprios políticos do PDT.
Os acordos foram assinados entre 30 de
novembro de 2007 e 10 de janeiro passado, e a primeira parcela dos repasses já
foi feita. O valor desses 12 convênios sobe para R$ 70 milhões se computadas
verbas para bolsas destinadas a jovens.
O Ministério do Trabalho e os beneficiados
pelos convênios negam irregularidades nos repasses ou o uso de influência
política na liberação da verba.
Mãe,
cunhada e candidato
No
Maranhão, a Fedecma receberá R$ 3,1 milhões. A presidente da entidade é
Marileide Rocha, mãe do secretário da Juventude do Estado, Weverton Rocha
(PDT).
Em Alagoas, a vice-presidente do Lar São
Domingos (R$ 1,8 milhão), Maria Russo Lessa, é cunhada de Ronaldo Lessa,
presidente do PDT alagoano.
Em Catanduva, interior de São Paulo, o
presidente da Associação São Vicente de Paulo, Francisco Batista de Souza, o
“Careca”, é o provável candidato a vice-prefeito da cidade pelo mesmo PDT de
Lupi. A entidade vai receber R$ 3,6 milhões.
No Rio, R$ 8,1 milhões serão destinados
à Fundação Oscar Rudge, presidida por Clemilce Sanfim Carvalho, candidata a
deputada federal (derrotada) pelo PDT-RJ em 2006. A Oscar Rudge já esteve
envolvida em suspeitas de irregularidades com verbas repassadas pelo governo do
Rio até 2006.
No total, os 12 convênios autorizados
pelo Ministério do Trabalho prevêem quase R$ 70 milhões para treinar 29,5 mil
jovens. O custo médio por treinado será de R$ 2.373,00. Desse total, os jovens
receberão somente uma bolsa de R$ 600,00.
Os R$ 1.773,00 restantes por jovem vão
para a entidade conveniada. Em vários casos, porém, a entidade terceirizará a
realização dos cursos.
Força
Sindical e PDT
Entre os repasses, constam ainda R$ 10,7
milhões para a DataBrasil, que funciona dentro da sede, em São Paulo, da Força
Sindical (entidade presidida pelo pedetista Paulo Pereira da Silva, o
Paulinho), e R$ 4 milhões para o Inesp, parceira da Força Sindical em alguns
projetos.
Embora os dirigentes da DataBrasil e do
Inesp declarem ser concorrentes entre si no mercado de treinamento de
mão-de-obra, há “atestados de capacidade técnica” de uma entidade recomendando
a outra para fazer esse tipo de trabalho. E de ambas sendo recomendadas pela
Força Sindical.
Na semana passada, a Folha noticiou a
intenção do Ministério do Trabalho de repassar R$ 7,07 milhões à CNTM
(Confederação Nacional de Trabalhadores Metalúrgicos), também filiada à Força
Sindical de Paulinho (PDT), para recolocação de mão-de-obra em São Paulo.
Se aprovado, o convênio representaria um
custo 97% maior por trabalhador recolocado no mercado do que o gasto hoje pelo
Estado de São Paulo e 65% a mais em relação ao da prefeitura paulistana para o
mesmo serviço. Ontem, uma semana após a publicação da reportagem, os valores do
convênio foram modificados, barateando o custo.
Convênios
suspeitos
Até 2002, vários convênios com verbas do
Ministério do Trabalho para treinamento e colocação de mão-de-obra foram objeto
de denúncias de irregularidades, algumas envolvendo a Força Sindical, além de
outras entidades.
Entre as suspeitas, constavam
treinamentos de trabalhadores “fantasmas”, pessoas sendo treinadas no mesmo dia
em Estados diferentes do país e estruturas totalmente incompatíveis para
atender ao número de candidatos determinados nos convênios.
Após acórdão do TCU (Tribunal de Contas
da União) em 2003, esse tipo de convênio foi suspenso. Meses depois, eles
acabaram voltando e direcionados a entidades como as citadas acima, algumas
relacionadas aos órgãos que foram objeto da suspensão e investigação -que ainda
não terminou.
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