O suspeito, segundo o governo, é Marcelo Valle Silveira Melo, já conhecido da Polícia Federal (PF). O investigado é um analista de sistemas de 33 anos, membro de grupo autointitulado "Homens Sanctos", conhecido por fazer ameaças pela internet.
Por Rafael Neves
Congresso em Foco
O Ministério da Justiça e Segurança
Pública afirmou ter identificado, neste sábado (26), um dos autores de ameaças
ao deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ). Na última quinta-feira, o
parlamentar anunciou que vai renunciar ao mandato e deixou o país devido a
ameaças que sofreu.
O suspeito, segundo o governo, é Marcelo
Valle Silveira Melo, já conhecido da Polícia Federal (PF). O investigado é um
analista de sistemas de 33 anos, membro de grupo autointitulado "Homens
Sanctos", conhecido por fazer ameaças pela internet. Melo, segundo o
ministério, atacava Jean Wyllys sob o nome falso de Emerson Setim.
Melo já foi preso duas vezes, a última
em maio de 2018, e segue detido. Em dezembro ele foi condenado a 41 anos, seis
meses e 20 dias de prisão pela Justiça Federal em Curitiba, que não permitiu
que ele recorresse em liberdade.
O Congresso em Foco tenta contato com o
advogado Rui Barbosa, que defendia à época da última prisão. O espaço está
aberto para manifestação pelo telefone (61) 99223-5216.
Em nota, o governo afirmou que
"repudia a conduta dos que se servem do anonimato da internet para
covardemente ameaçar qualquer pessoa e em especial por preconceitos
odiosos".
No comunicado, a pasta ainda
"lamenta a decisão do deputado de deixar o país", mas nega que tenha
havido omissão do Estado às acusações de Jean Wyllys, como o próprio deputado
afirmou em carta escrita ao partido.
Crimes
de ódio na internet
O brasiliense Marcelo Valle Silveira
Melo é investigado pela Polícia Federal há mais de 10 anos por crimes de ódio.
Em 2005, ele foi denunciado por fazer ataques a negros na rede social Orkut.
Por esse caso, foi o primeiro condenado por racismo da Justiça Brasileira, em
2009.
Valle, que chegou a ser estudante de
Letras-Japonês na UnB (Universidade de Brasília), mas abandonou o curso,
recorreu da sentença e não foi preso. Mais tarde, em 2012, quando foi
deflagrada a Operação Intolerância, ele foi à cadeia por incitar o ódio a
minorias e planejar, conforme a Polícia Federal, um ataque a estudantes da UnB.
Ficou preso por um ano e ganhou o direito de responder em liberdade, voltando a
fazer ataques pela internet.
Melo foi condenado em 2013 por
veiculação de “material de conteúdo racista (com incitação à violência contra
negros, homossexuais e mulheres) e contendo apologia aos crimes de estupro,
homicídio e abuso sexual contra crianças e adolescentes”, segundo anotou a
Justiça à época de sua última prisão no ano passado.
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