sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Imagens do corpo do miliciano ligado a Flávio Bolsonaro indicam que houve tortura e tiro de misericórdia

Marcas sugerem que o disparo foi feito a menos de 40 centímetros de distância
O ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, considerado peça-chave para o esclarecimento da expansão das milícias no Rio de Janeiro e do esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro, hoje senador pelo Rio de Janeiro, sofreu tortura antes de ser executado, domingo, 9, no estado da Bahia, com um tiro de ‘misericórdia’.

A avaliação é do médico legista Malthus Fonseca Galvão, professor da Universidade de Brasília (UnB) e ex-diretor do Instituto Médico Legal do Distrito Federal, consultado pela Veja sem conhecer a identidade do morto:

Eis um trecho da reportagem:

O segundo ponto destacado pelo médico legista é uma marca que aparenta ser um tiro na região do pescoço.

“Pode ter sido um disparo após a vítima ter caído no chão, porque a imagem me sugere ser de baixo para cima, da direita para a esquerda, em quase 45 graus. Esse disparo pode ser o que o povo chama de ‘confere’”, afirmou. Confere é o famoso tiro de misericórdia, efetuado quando não há a intenção de salvar a pessoa baleada.

Galvão também destacou uma marca cilíndrica cravada no peito do corpo. “Tem muita chance de ser a boca de um cano longo após o disparo, quente, sendo encostada com bastante força por mais de uma vez. Nesse momento, ele estava vivo, com certeza, porque está vermelho em volta. É uma reação vital.”

O professor observou ainda que o ferimento na cabeça poderia ser um corte provocado por um facão, um machado ou um choque com a quina de uma mesa. Pessoas próximas a Adriano da Nóbrega dizem que ele foi torturado. O machucado na cabeça, por exemplo, teria sido resultado de uma coronhada de pistola





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