sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Homem que matou mulher em hotel no São Cristóvão diz que sofre de depressão e queria apenas desacordar a vítima

Aleff Gonçalves disse à Polícia Civil que queria se suicidar após “apagar” Jessimara
Delegada Viviane Fontenelle, do Departamento de Feminicídio da SHPP, falou sobre a prisão do assassino de Jessimara
Allef Gonçalves Araújo Ribeiro, de 24 anos, que foi preso na quarta-feira (12), no Shopping Rio Anil, localizado na Avenida São Luís Rei de França, autor da morte da jovem Jessimara Cristian Marques Pacheco, disse à Polícia Civil que não tinha intenção de matá-la. O homem alegou que queria apenas desacordar a vítima para conseguir sair e, em seguida, cometer suicídio. O crime ocorreu dentro de um hotel no bairro do São Cristóvão, na última sexta-feira (7).

“Ele diz ser uma pessoa depressiva e que, por três vezes, já teve a intenção de se matar aqui nesta cidade, e que contou este fato à vítima. A partir de então, ela teria ficado no pé dele o tempo inteiro para impedir que fizesse alguma besteira. Por conta disso, a teria estrangulado com o cabo do notebook. Segundo Allef, ele não queria tirar a vida de Jessimara, mas apagá-la para sair do local e tirar a própria vida”, revelou a delegada Viviane Fontenelle, do Departamento de Feminicídio, responsável pela investigação do caso, durante coletiva de imprensa na tarde de ontem (13).

A vítima e o autor, que é analista de sistemas e mora em Guarulhos, em São Paulo, se conheceram há cerca de três ou quatro anos por meio de um jogo virtual. Somente neste ano eles se conheceram pessoalmente, com a vinda de Allef para a capital maranhense. O autor estava desde o dia 10 de janeiro em São Luís, e já havia se hospedado em outros dois hotéis antes do crime.

Jessimara, que tinha 26 anos e deixou uma filha de oito anos, saiu da casa dos pais, com quem morava, sem dizer para onde ia. O mesmo fez Allef ao sair de São Paulo. A delegada informou que foi descoberto um boletim de ocorrência de desaparecimento registrado dia 18 de janeiro pela mãe do suspeito.
O pedido pela prisão temporária do autor foi deferido no domingo e o mesmo foi preso e localizado dentro do shopping após denúncias. Com ele, a polícia localizou o celular de Jessimara. O analista de sistemas vendeu o aparelho dele e
estava utilizando o da vítima para se comunicar. Desde o dia do crime, ele estava perambulando pela cidade, segundo a polícia.

Allef foi autuado por feminicídio e, após depoimento na sede da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), foi encaminhado ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas, onde cará à disposição da justiça.

O crime e contato com a família

Segundo a delegada Viviane Fontenelle, no dia do crime, Allef saiu por volta de 10h e queria deixar a chave do quarto com a dona do hotel, que se recusou a aceitar. Ele voltou ao quarto, botou a chave por dentro da porta e bateu sem trancar.  Por volta de 12h30, um funcionário foi verificar a jovem no quarto a pedido da proprietária, para saber se ela não queria almoçar. No primeiro momento, ao chamá-la, não obteve resposta, mas imaginou que a mesma estivesse dormindo.

“Quando foi por volta das 16h30, a dona do hotel se lembrou de novo e achou estranho ela não ter aparecido. Entrou no quarto, que estava destrancado, e não viu a vítima. Ao abrir a porta do banheiro, a encontrou no chão com um lençol por cima do rosto. Nervosa, chamou um hóspede e ele constatou que a jovem estava morta”, disse a delegada, armando acreditar que o crime tenha ocorrido minutos antes da saída dele pela manhã.

No mesmo dia, Allef ainda mandou mensagens para a tia e a irmã da vítima, alegando que a mesma estava precisando de ajuda e repassando o nome do hotel. A família, conforme a delegada, não deu muita importância em razão de ele já ter feito a mesma coisa com o pai da vítima dias atrás. “Disse que era para ir até o hotel salvar a filha, mas quando eles chegaram lá, na verdade, a ajuda que precisava era para pagar o hotel. Então a família não deu muita credibilidade para a informação que ele deu”, explicou a titular do Departamento de Feminicídio.

Com informações do Jornal Pequeno

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