quinta-feira, 16 de junho de 2016

Sarney Filho é acusado de receber R$ 400 mil do esquema de propina da Transpetro

O Ministro interino do Meio Ambiente, Sarney Filho, é citado na delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, como beneficiário de R$ 400 mil do esquema de corrupção montado na estatal.

No trecho da delação que trata da propina a José Sarney, há uma tabela com o montante de R$ 18,5 milhões de repasses. Desse total, em 2010, Sarney Filho teria recebido R$ 400 mil em forma de ‘vantagens ilícitas em doações oficiais’.  O dinheiro seria de propina de contratos da Transpetro com empresas como a Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.

Do total de R$ 18,5 milhões destinados a Sarney, R$ 2,25 milhões foram pagos por meio de doação oficial pelas empresas Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. É desse montante que saíram os R$ 400 mil a Sarney Filho. O restante, R$ 16,25 milhões, foi entregue em dinheiro vivo a José Sarney, ao longo de oito anos, segundo Machado.

Machado revela que conheceu Sarney em 1982. Em 2006, diz que foi procurado por Sarney em busca de ajuda para sua base política. O ex-presidente relatou dificuldade para manter suas bases no Amapá e no maranhão. Queria ajuda para ver o que poderia ser feito. Ficou definido pagamento anual de propina para a sustentação política dessa base. Eram doações oficiais e não oficiais, com repasses feitos até 2014. Em anos eleitorais, os repasses eram feitos por doações oficiais, a partir de julho.

Revoltado, Sarney Filho diz que Sérgio Machado é “monstro moral”, “picareta” e “marginal”

Sarney Filho reagiu com indignação à acusação de ter recebido propina de R$ 400 mil do esquema de corrupção coordenado pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Em nota, o ainda ministro chamou o ex-presidente da Transpetro de "monstro moral", "picareta" e "marginal" que, segundo ele, "chegou ao cúmulo de gravar uma pessoa de 86 anos no leito de hospital".

Sarney Filho disse ainda que dizer que doações oficiais, amplamente publicizadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral, seriam produto de 'vantagens indevidas', pedidas por meu pai, é muito fácil para um picareta que, como ele, não teve o pudor de usar seus três filhos na roubalheira bilionária que promoveu".

"Vi esse marginal várias vezes na casa de meu pai, de quem se dizia amigo, porém nunca conversamos nada que levantasse de minha parte a menor suspeita sobre o bandido que ele é”, concluiu o ministro na nota.

A queda moral de Sarney

As revelações de Sérgio Machado podem ser uma pá de cal na oligarquia Sarney, moralmente destruída. A aura de pureza que pairava sobre o oligarca foi dissipada. O imortal, na verdade, é um simples mortal, cheio de pecados e vícios da velha política patrimonialista. 

É mais um que usa a coisa pública como privada. Para ele, a política é um negócio rentável. Talvez seja a principal fonte de enriquecimento ilícito e de montagem de um império econômico e midiático. 

Com a moral corroída, Sarney definha e, encurralado, já não tem forças para amedrontar seus algozes. A Justiça tarda, mas não falha!

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