Rádio Voz do Maranhão

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Advogado confirma amizade com o agiota Gláucio Alencar e diz que habeas corpus não foi negado


Ronaldo Ribeiro confirma amizade com o agiota
Gláucio Alencar

Acusado de estar envolvido diretamente com o grupo acusado de tramar o assassinato do jornalista Décio Sá, o advogado Ronaldo Henrique Santos Ribeiro disse, na manhã desta quinta-feira (28), que não está com pedido de prisão para ser apreciado pela juíza da 1ª vara do Tribunal do Júri e que seu pedido de habeas corpus preventivo não fora negado, como veiculado na imprensa.

“O habeas corpus que interpus foi na tentativa de evitar uma busca e apreensão por a polícia e para preservar os interesses de meus outros clientes. O habeas corpus não foi negado pelo desembargado Jamil Gedeon. Ele vai apreciar a liminar após a informação da juíza de 1º grau. Ela já me informou que não há nenhum pedido de prisão para o advogado Ronaldo Henrique Santos Ribeiro”, disse o causídico, justificando sua preocupação com um possível pedido de prisão preventiva.

O advogado confirma que era amigo pessoal do jornalista Décio Sá e que se soubesse que estavam tramando alguma coisa contra ele (Décio), seria o primeiro a alertá-lo. “Além de amigo do Décio, também sou amigo do Gláucio Alencar. Ele é cliente do meu escritório. Por isso, não patrocinei a defesa dele, por uma questão de ética. Orientei-lhe a procurar outro advogado para defendê-lo”, disse Ronaldo.

Ele disse que está bastante sereno e calmo e até lembra os conselhos de um amigo, que dizia: “Ronaldo, advoga-se para bandidos, mas advogado não pode ser bandido”. Lamento que tenham publicado que sou advogado ligado à lavagem de dinheiro e agiotagem. Isso não existe!”, acrescenta.

Sobre a acusação de que Gláucio seria o mandante do assassinato do jornalista, o advogado disse que não acredita que o amigo tivesse coragem de fazer isso. “Eu mesmo cheguei para o Gláucio e perguntei se ele tinha algum envolvimento com o crime. Ele me disse que não tinha nada a ver com isso. Esse não é o perfil do Gláucio. Ele é um empresário tranqüilo, calmo, e é até evangélico. Jamais mandaria fazer isso. No entanto, em seu depoimento, ele confirma a prática de agiotagem com prefeitos. Eu acredito na inocência do Gláucio”, acrescenta Ronaldo.
Sobre um episódio em que o agiota Gláucio, juntamente com nove seguranças, teriam agredido o jornalista e blogueiro Marcelo Vieira, por causa da publicação de informações contrárias aos interesses dele, Ronaldo afirma que não houve agressões. Diz que foi apenas uma uma ‘conversa’ com o jornalista que, depois, publicou uma matéria se retratando. Esse episódio, lembrado pelo radialista Renato Sousa, aconteceu na Churrascaria Passo Fundo, alguns meses antes do assassinato do jornalista Décio Sá.

Ronaldo Ribeiro afirma que acredita na comissão de delegados e espera que o caso seja elucidado. “Conversei com alguns desses delegados e notei que todos são apolíticos e que vão fazer um trabalho técnico. Acredito também na Justiça e que esse caso seja elucido logo”, diz.

Ele assegura que o advogado de defesa já tem elementos suficientes para pedir o relaxamento da prisão de Gláucio Alencar. “Falei isso ao Gláucio, numa visita que lhe fiz ontem, mas ele quer que o advogado leve tudo para uma análise, pois não quer que um pedido de habeas corpus seja negado, complicando, ainda mais, a situação”, acrescenta.

Quando perguntado sobre a amizade com o delegado Pedro Meireles, o advogado disse que ele é cliente de seu escritório, onde tem várias ações interpostas, principalmente contra operadores de celular. Além disso, o delegado é seu amigo de infância.

Ronaldo nega que seja amigo do empresário Júnior Bolinha, apontado como o contratante do pistoleiro de aluguel Jhonathan Silva, que executou Fábio Brasil, em Teresina, o jornalista Décio Sá, na Avenida Litorânea, em São Luís. No entanto, diz que conhece Buchecha, que trabalhava como uma espécie de ‘cobrador’ para os agiotas. O advogado foi citado cerca de nove vezes no depoimento de Buchecha aos delegados que trabalham na investigação do assassinato de Décio e do esquema de agiotagem com prefeituras do Maranhão.

O advogado finaliza afirmando que está entre a cruz e espada, pois o Gláucio Alencar é cliente de seu escritório, e Décio Sá era seu amigo pessoal.

Essas declarações foram dadas por Ronaldo Ribeiro no programa “Tribuna da Capital”, apresentado pelo radialista Renato Sousa, na Rádio Capital AM, na manhã desta quinta-feira(28).

Texto publicado também no Blog do Gilberto Lima no Portal Meio Norte


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