domingo, 16 de maio de 2021

Tripulante de navio indiano é internado com covid-19 em São Luís; o navio está fundeado para quarentena

Secretário Carlos Lula informou que comunicado sobre a internação do tripulante indiano foi feito pela ANVISA

Um tripulante indiano do navio “MV Shandong da Zhi”, que está fundeado na Baía de São Marcos, deu entrada em hospital da rede privada de São Luís com sintomas da covid-19.

Segundo informações do secretário Carlos Lula, a notificação foi passada à Secretaria de Estado da Saúde (SES) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Existe o temor da entrada no Brasil da variante indiana do coronavírus.

Segundo a SES, em relação ao paciente internado, o relatório médico registra que o homem de 54 anos, de nacionalidade indiana, começou a ter sinais e sintomas no dia 4 de maio, apresentando febre.

“Procedimentos foram realizados previamente à sua remoção para o hospital, no dia 13 de maio, mas os sintomas persistiram. A remoção do paciente foi realizada por meio de helicóptero por determinação médica”, diz a nota, que informa que ele testou positivo para a covid-19

A ANVISA informou, ainda, que o navio encontra-se em quarentena, na área de fundeio, para isolamento dos demais tripulantes. “O órgão estadual foi notificado pela ANVISA para seguir as exigências de protocolo sanitário, sendo orientada a realizar coleta de exame de PCR em toda a tripulação, procedimento que está em curso”, acrescenta a nota.

Leia a íntegra da nota da SES


Por que o coronavírus originário na Índia se tornou “variante de preocupação”

A variante B.1.617, detectada pela primeira vez na Índia, passou a ser considerada uma "variante de preocupação" pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma categoria mais transmissível. Antes, ela havia sido classificada como uma variante de interesse, menos preocupante.

À medida que mais casos da variante B.1.617 foram surgindo na Índia e em outros países – a variante foi descoberta também na Argentina –, ela passou a se encaixar na categoria de outras como a B117, originária do Reino Unido, a B.1.351, da África do Sul, e a P.1, do Brasil. 

O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) classifica as variantes do novo coronavírus em três categorias: variantes de interesse, variantes de preocupação e variantes de alta sequência. Entenda o significado de cada categoria e como estudos genéticos permitem o mapeamento de novas variantes.

Como surgem as variantes?

Antes de entender o que diferencia uma variante de interesse de uma variante de preocupação, é importante entender como surgem as mutações.

Toda vez que um vírus infecta uma pessoa, ele tem a possibilidade de sofrer mutação, ou seja, mudar sua composição genética. Por isso, quanto mais infecções ocorrem em uma região, maior a possibilidade de que variantes do vírus possam originar novas versões.

Disseminando-se progressivamente desde sua origem em Wuhan, na China, (onde admite-se que o novo coronavírus surgiu) para outras partes do mundo, causando milhões de infecções, o Sars-CoV-2 mudou progressivamente em sua estrutura molecular que, graças ao sequenciamento genético, pôde ser analisada detalhadamente.

Um grupo de cientistas alemães e britânicos analisou o genoma do vírus desde seu surgimento e acompanhou sua evolução através das mutações, que ocorriam à medida em que o vírus se espalhava progressivamente para outros países. Entenda o que significa cada tipo de variante:

Variantes de interesse: incluem marcadores genéticos específicos que predizem sua capacidade de afetar a transmissão, o diagnóstico, a terapia ou a resposta aos anticorpos neutralizantes do vírus. Podem exigir ações de saúde pública, incluindo vigilância do vírus, ou investigações epidemiológicas para avaliar a facilidade de transmissão, se causam doenças mais graves, qual a resposta a tratamentos, e se as vacinas atuais oferecem proteção a elas.

Alguns exemplos de variantes de interesse são B.1.526, de Nova York, e P.2, do Brasil. A variante B.1.617, da Índia, estava neste grupo, mas agora foi reclassificada como variante de preocupação.

Variantes de preocupação: há evidências de que elas têm maior capacidade de contágio. Essas variantes se manifestam de forma mais grave nos doentes, levando a mais hospitalizações ou mortes, são mais resistentes a tratamentos e vacinas, e têm mais falsos negativos em testes de detecção de diagnóstico.

Variantes de preocupação podem exigir ações de saúde pública específicas, como notificação à OMS, em virtude do Regulamento Sanitário Internacional, notificação ao CDC, esforços locais ou regionais para controlar a disseminação, e desenvolvimento de novas vacinas ou testes diagnósticos.

Variantes de alta consequência: são consideradas as mais resistentes a tratamentos e vacinas. Segundo o CDC, elas elevam o risco de doença clínica mais grave, causam aumento de hospitalizações, e diminuem significativamente a eficácia da vacina.

Uma variante de alta consequência exigiria notificação à OMS, relatório ao CDC, anúncio de estratégias para prevenir ou conter a transmissão e recomendações para atualizar tratamentos e vacinas. Felizmente não foram detectadas até o momento variantes de alta consequência do coronavírus.

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