Depois do contrato sem licitação no valor de R$ 4,6 milhões, a Lastro Engenharia foi novamente contratada pela Secretaria de Saúde na gestão do ex-secretário Ricardo Murad para realizar serviços semelhantes no Pam Diamante.
Por Leandro Miranda
Blog Marrapá
O trabalho da auditoria revelou
irregularidades como dispensa indevida de licitação, ausência de projeto
básico, ausência de responsável técnico pela elaboração de projeto
arquitetônico, itens em duplicidade nas planilhas de custos, superfaturamento e
direcionamento de licitações. As obras no Pam Diamante foram iniciadas seis
meses depois que Ricardo Murad assumiu a Secretaria de Saúde. O hospital foi
fechado para a reforma e a empresa Lastro Engenharia Incorporações e Indústria
Ltda foi contratada, sem licitação, por R$ 4.699.818,30.
A obra, contratada em 13 de novembro de
2009, deveria durar apenas seis meses e ser concluída até maio de 2010, pois
era o limite legal para as contratações emergenciais. Contudo, o serviço se
arrastou ao longo de quase cinco anos. Além disso, a contratação da Lastro
Engenharia Incorporações e Indústria Ltda ocorreu de forma ilegal. A lei não
permitia a contratação emergencial naquela circunstância e os laudos que
justificavam a situação eram datados de 2007, não sendo mais possível fazer a
contratação sem licitação.
Somente o crime de dispensa indevida de
licitação implica em pena privativa de liberdade com detenção de 3 a 5 anos e
multa, conforme a Lei nº 8.666/93. Porém, outros problemas graves foram
encontrados pelos auditores como o fato de todas as propostas apresentarem
planilhas idênticas, mesmo não havendo projeto básico no processo, e teriam
sido elaboradas em apenas três dias, evidenciando fraude na contratação para
beneficiar a Lastro Engenharia.
A auditoria constatou também que há
itens na planilha que foram mensurados em duplicidade, ou seja, a empresa
beneficiária do contrato sem licitação ainda receberia duas vezes pelo mesmo
serviço. Pior, foi constatado o superfaturamento em diversos itens quando
confrontados com a tabela de custos do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e
Índices da Construção Civil (Sinapi), resultando em contratação antieconômica.
Alguns itens foram contratados com até 93% de superfaturamento.
Outra grave irregularidade foi que o
contrato feito sem licitação foi concluído sem que a Secretaria de Saúde
elaborasse o termo de recebimento definitivo da obra. Como o contrato foi
sucedido por outros, a ausência da medição impossibilita constatar se os
serviços contratados e pagos foram realmente executados.
Depois do contrato sem licitação no
valor de R$ 4,6 milhões, a Lastro Engenharia foi novamente contratada pela
Secretaria de Saúde na gestão do ex-secretário Ricardo Murad para realizar
serviços semelhantes no Pam Diamante, através do Contrato nº 99/2011. Desta vez
a contratação foi feita com licitação, na modalidade concorrência, mas a
auditoria da Secretaria de Transparência e Controle aponta que houve fuga ao
princípio da competitividade porque não ficou comprovado nos processos a data
das publicações do edital em jornais e apenas a empresa Lastro Engenharia
participou da licitação.
Nesse segundo contrato, houve
irregularidades na assinatura de diversos aditivos. Em um deles, foram
contratados serviços que já teriam sido executados. Em outro aditivo, a
Secretaria de Saúde elevou o valor do contrato em percentual acima do permitido
em lei. A auditoria também considerou indevidas as justificativas para alguns
aditivos, pois afirmavam dificuldades quanto à capacitação de mão-de-obra e de
fornecimento de materiais, demonstrando que a empresa não teria capacitação
técnica e econômica para ter sido admitida na licitação.
O trabalho de auditoria evidenciou
morosidade na execução dos serviços. O contrato assinado em 17 de maio de 2011
previa que as obras deveriam ser concluídas em 16 de maio de 2012, mas a
empresa somente encerrou as atividades no canteiro de obras em 14 de agosto de
2013, com mais de um ano de atraso injustificado. Além disso, relatório
fotográfico evidenciou prejuízo ao erário com a inexecução parcial do contrato.
Apesar da Lastro Engenharia não ter
concluído o objeto contratado, o ex-secretário Ricardo Murad não adotou as
medidas legais cabíveis contra a empresa, deixando injustificadamente de
instaurar processo para a aplicação das sanções previstas na Lei nº 8.666/93,
que poderiam obrigar a Lastro a pagar multa e ficar impedida de fazer novas
contratações com a Administração Pública.
Outra irregularidade constatada foi
quanto ao pagamento de parte da obra com recursos do BNDES sem que o banco
tivesse autorizado e sem o aval da gerenciadora contratada pelo Governo do
Maranhão. Mesmo tendo a Secretaria de Saúde um contrato em vigor com a empresa
Proenge Engenharia e Projetos Ltda com esse propósito, os auditores observaram
que não foi feita qualquer fiscalização em vários processos de medição dos
serviços pagos.
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