sexta-feira, 17 de abril de 2020

Tenebroso: Exército consulta prefeituras sobre número de sepulturas para vítimas do novo coronavírus


O Exército enviou ofício a ao menos 66 prefeituras do Rio de Janeiro solicitando informações estatísticas sobre a capacidade de sepultamentos diários de vítimas do novo coronavírus. O documento foi endereçado a municípios do interior e da região metropolitana, como Niterói.

O pedido foi solicitado pelo Comando Conjunto Leste, que reúne membros das três Forças no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.

Questionado, o Comando não respondeu se enviou o documento para todos os municípios de sua área. O ofício afirma que as informações seriam enviadas ao Departamento-Geral do Pessoal do Exército, que fica em Brasília.

"Solicito que seja realizado um levantamento de dados estatísticos referentes a quantidade de cemitérios, disponibilidade de sepulturas e capacidade de sepultamentos diários, em suas respectivas áreas de responsabilidade", afirma o documento.

O ofício foi divulgado pelo prefeito de Três Rios, Josimar Salles (PDT), em suas redes sociais a fim de alertar a população sobre a gravidade da pandemia provocada pelo novo coronavírus.
"Diante de um documento como esse, pedindo informações sobre o número de cemitérios, sepulturas, eu não posso afrouxar a nossas medidas", disse o prefeito no vídeo, que determinou isolamento social em sua cidade, apesar de ter apenas cinco casos confirmados e nenhum óbito.

Em nota, o Comando Conjunto do Leste afirmou que "planeja sua atuação com base no levantamento de cenários hipotéticos, visando mitigar os efeitos nocivos da pandemia junto à sociedade".

"O documento em pauta tem como objetivo tão somente coletar dados para um dos cenários levantados", afirma o comando das Forças Armadas.

O colapso funerário foi uma das consequências da pandemia em cidades na Itália, Espanha e Equador. Na Itália, os corpos passaram a ser transportados por veículos do Exército em razão da dificuldade em realizar os sepultamentos.

Em Manaus (AM), o prefeito Arthur Virgílio afirmou que em breve a cidade não dará mais conta dos enterros causados pela doença.

"Está havendo um colapso funerário. Os enterros estão crescendo de forma exponencial", disse ele na sexta-feira (10) à CNN Brasil.

Os enterros de corpos de pessoas que morreram sob suspeita de terem sido vítimas do novo coronavírus ou de casos confirmados já ultrapassam a metade dos sepultamentos em alguns cemitérios de São Paulo, segundo levantamento feito pela reportagem ao longo desta semana.

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