sábado, 17 de julho de 2021

Dino critica “vitimização” e deseja melhoras a Bolsonaro: “Tem multa pra pagar”

“Não quero tratar de forma alguma sobre problema de saúde de adversário p0lítico. O que eu lamento é a tentativa de politizar um problema de saúde”, disse o governador, em entrevista ao Metrópoles nesta sexta-feira (16).

“Quanto ao problema de saúde, eu torço muito para que ele não tenha nada de grave e que resolva o problema dele, que os médicos resolvam, que o hospital resolva. Agora, outras pessoas tentam montar uma estratégia de vitimização que não é adequada, não é conveniente”, destacou. 

“Nesse aspecto, eu lamento e espero que ele tenha sua saúde plenamente restaurada. Até porque, ele tem muitos processos para responder no futuro. E tem uma multa para pagar lá no Maranhão”, brincou o governador.

A multa se refere à visita de Bolsonaro ao estado em maio deste ano, quanto o presidente desrespeitou medidas sanitárias impostas pelo governador em função da pandemia de Covid-19, provocando aglomerações e não usando máscara. Na época, era permitido realizar eventos no estado com no máximo 100 pessoas até às 23h

A Superintendência de Vigilância do Maranhão fixou a punição em R$ 80 mil. O documento indica que Bolsonaro violou o limite de pessoas permitido ao promover no município de Açailândia uma cerimônia de entrega de títulos rurais.

Articulações

Recém-chegado ao PSB, Dino tem trabalhado para tentar ampliar o partido no Maranhão e também participado do mesmo esforço na esfera federal. Ele tem sido responsável em parte pela reaproximação com o PT, que deve lançar como candidato ao Planalto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O governador maranhense, que sempre foi defensor da chamada frente ampla de centro-esquerda, também tem mantido diálogo com o PDT de Ciro Gomes (CE). Nesse caso, porém, seu desempenho tem sido de tentar apaziguar os ânimos do cearense em relação ao petista.

Precaução

Na próxima semana, Dino terá uma conversa com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e pretende, segundo ele, fazer um alerta: “Não se pode menosprezar Bolsonaro”.

Lupi tem apostado na possibilidade de Bolsonaro não ter fôlego para chegar ao segundo turno das eleições, por conta de todo o desgaste. Para Lupi, o segundo turno se dará entre Lula e Ciro. As constantes críticas do pedetista ao ex-presidente se justificariam, neste contexto, para Ciro se diferenciar, marcar posição.

Dino alerta, no entanto, que é necessário manter um ambiente que permita diálogo no segundo turno. “Como Lupi me pediu para ir ao Maranhão, eu acredito que a pauta é sobretudo o estado”, disse.

“De todo modo, eu vou colocar na mesa o que eu acredito. Se não for possível uma união em primeiro turno, que ela se dê no segundo. Parece ser difícil uma conveniência plena no primeiro turno. Eu diria que, nesse momento, ela é impossível. Mas é necessário criar um ambiente de diálogo para que no segundo turno haja essa integração com o objetivo de derrotar Bolsonaro”, argumentou Flávio Dino.

“O Bolsonaro enfraqueceu muito, não há dúvida, mas ele ainda é um candidato forte e não pode ser minimizado”, ponderou o governador.

“Um dos erros de 2018, de muitos, foi não acreditar que ele venceria a eleição, de tão absurdo que era. Quando eu falo de erro, não estou dizendo no sentido de culpa. Mas era tão absurdo que uma pessoa tão despreparada, desqualificada, ganhasse a eleição, que ninguém acreditava. Então, muitos erraram nisso, eu inclusive”, reconhece.

“Eu achava que jamais Bolsonaro ganharia a eleição. Alias, em condições normais, não teria ganho mesmo. Mas aprendendo com isso, a gente não pode minimizar ou achar que ele está fora do segundo turno”, reiterou.

Meio ambiente

Dino esteve em Brasília nesta sexta para lançar, por meio do Consórcio da Amazônia Legal, o Plano de Recuperação Verde. A iniciativa é do conjunto de governadores dos estados que integram a região e que pretendem conjuntamente investir cerca de R$ 1,5 bilhão em ações imediatas e a médio prazo para a recuperação da floresta e de desenvolvimento sustentável.

Apesar da iniciativa ser dos governadores, o novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, aceitou participar do encontro de forma virtual e acabou marcando uma reunião com todos os governadores para os próximos dias.

O diálogo do consórcio com o antigo ministro da pasta Ricardo Salles nunca existiu e a troca acabou apontando, segundo Dino, para a possibilidade de uma conversa com o órgão.

“Eu liguei para ele [Leite] há três dias para fazer o convite. Ele foi muito receptivo, muito gentil. Disse que tinha muita dificuldade de participar presencialmente, mas que participaria, como de fato participou. Nós ficamos de fazer uma reunião dos nove governadores com ele, virtual ou presencial, daqui a uns 10 dias “, disse o governador.

“Eu achei a presença dele um sinal muito positivo. Um sinal de diálogo. A fala dele foi muito no sentido da colaboração, da convergência, das ações conjuntas. Ele falou várias vezes em ações conjuntas. Acho que foi um sinal importante porque nessa área, por exemplo, não se pode ter GLO (ação de Garantia da lei e da Ordem) das Forças Armadas andando para um lado e fiscalização dos estados andando para outro. Tem que se ter comandos únicos, sobretudo nas áreas mais críticas”, avaliou.

Lula

Dino entregou nesta semana uma cópia do plano ambiental ao ex-presidente e acredita que há grandes chances de que o material elaborado pelos 9 estados seja incorporado pela campanha petista.

“Eu entreguei o plano para ele e nós ficamos umas duas horas conversando. Mais da metade do tempo foi sobre economia verde e sobre a Amazônia. Ele está muito motivado com o tema”, disse.

Na reunião, Dino ainda acertou uma ida de Lula ao Maranhão. O petista deve iniciar em agosto uma série de viagens ao Nordeste com o objetivo de se reunir com lideranças políticas em agendas ainda fechadas.

Com informações do Metrópole


Nenhum comentário:

Postar um comentário