Rádio Voz do Maranhão

sábado, 12 de agosto de 2023

Acusado de 'golpe do amor' é preso em Vila Nova dos Martírios por estupro de vulnerável e estelionato; crimes foram praticados em diversas cidades

Acusado por estupro de vulnerável e estelionato contra mulheres de Belém e Marabá, no Pará, Diego Rogério Menezes da Nóbrega, de 36 anos, conhecido como "Don Juan do crime”, foi preso na última segunda-feira (7), em Vila Nova dos Martírios, a 662 km de São Luís, pela Polícia Civil do Pará. Diego Rogério tem várias passagens policiais em diversos estados e chegou a ser preso em 2021 em Vitória da Conquista, acusado de aplicar o "golpe do amor", roubando mulheres que conhecia no Tinder.

“Durante as investigações, foi observado que existia denúncia de vítimas em vários Estados do Brasil pelos mesmos crimes e ainda roubo de veículos. O preso se mostrava bem-sucedido profissionalmente, interessado em um relacionamento sério, romântico e carinhoso, tudo para ganhar confiança da vítima. Após ganhar a confiança delas, ele furtava cartões e fazia transferências bancárias. Em alguns casos o suspeito dopava as vítimas e mantinha relações sexuais, nesse momento aproveitava para produzir conteúdo íntimo e extorquia as vítimas quando a estratégia anterior fracassava”, explica Walter Resende, delegado-geral da Polícia Civil do Pará.

A delegada Ariane Melo, que comanda a Diretoria de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAV), conta que as investigações no Pará começaram há quatro meses.

"O suspeito, reiteradamente, comete crimes de estelionato utilizando das vulnerabilidades de mulheres envolvidas emocionalmente. Ele age há anos em diversas cidades do país. Para cada vítima, todas mulheres, o criminoso se apresentava com um codinome diferente, mas o golpe sempre foi o mesmo. Após ganhar a confiança das mulheres, em alguns casos, ele pedia o carro das vítimas emprestado e vendia o veículo com um valor muito abaixo do mercado. O estelionatário chegou a usar a própria mãe como desculpa para conseguir enganar mais uma vítima", explica.

Diego Rogério será transferido e ouvido na Delegacia da Mulher em Belém e depois será encaminhado para Central de Recebimento e Triagem (CRT), ficando à disposição da Justiça.

Prisão na Bahia

Diego foi preso em fevereiro de 2021 em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, em um ônibus parado durante fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-116. A CNH apresentada por ele, de Piracicaba (SP), levantou dúvidas nos policiais, por conta de sinais de falsificação.

Os agentes descobriram que ele usava um nome e identificação de outra pessoa. Na conversa, o homem acabou confessando que comprou a CNH por R$ 600 em São Paulo. A consulta pelo nome verdadeiro dele revelou que tinha vários mandados de prisão em aberto por estelionato em vários locais.

Se passando por engenheiro agrônomo ou analista da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Diego seduziu mais de uma centena de vítimas, espalhadas em estados do norte ao sul do Brasil. Com papo leve e fala solta, o golpista abusava da boa-fé de seus “dates” para subtrair itens pessoais das pessoas, como anéis e joias. Ele também visava automóveis e altas quantidades de dinheiro.

O script do golpe segue uma linha padrão de abordagem: bem sucedido, após viajar por diversos locais do Brasil, o suposto engenheiro “acabou de chegar” numa nova cidade, onde não conhece ninguém. Precisando de ajuda para conhecer pessoas e encontrar apartamento, ele se aproxima de mulheres e homens que o ajudariam nessa missão. De acordo com relatos das vítimas ouvidas pelo CORREIO, apenas três ou quatro dias depois seu plano final vem à tona, sempre em busca de itens de valor.

Para dar fidedignidade ao seu roteiro, Diego afirma que trabalhou por anos na Petrobras, e até mesmo chega a extremos, como pagar aluguéis dos supostos locais onde irá morar. Aliás, o extremo não é problema para o criminoso: ele chegou a tatuar o nome de uma das vítimas antes de efetuar o golpe. Além disso, o golpista também inventa inúmeras histórias, que vão desde ajudas benevolentes desenfreadas e até mesmo que seria o grande herdeiro de uma fortuna deixada por sua mãe após a morte.

Um dos casos aconteceu com uma soteropolitana, residente em Aracaju. Ela contou ao CORREIO que conheceu Diego através de um aplicativo de relacionamentos. Após o “match”, combinaram alguns encontros, e ele pediu para que ela o ajudasse a encontrar um apartamento na capital sergipana. Lar encontrado, Diego demonstrou uma suposta gratidão generosa até demais, se oferecendo para ajudar a “amada” a trocar seu carro, que segundo ele era “problemático” e deveria ser vendido. Mesmo a conhecendo há poucos dias, ele se ofereceu para pagar a diferença entre o carro antigo e o novo, pois "possuía muito dinheiro que fora herdado”. Trâmites feitos, carro antigo repassado ao novo dono, xeque mate. O golpista some com o valor obtido pela venda do carro, feita de maneira completamente legal. O prejuízo estimado para a vítima foi de R$ 25 mil.

Os golpes não foram somente contra pessoas, mas também contra lojas e empresas: uma das especialidades de Diego era o roubo de veículos de locadoras de automóveis. Utilizando de um baratino — em bom baianês — refinado, o contraventor se apropriava dos veículos após reservar apenas uma diária. Sempre utilizando documentos falsos, Diego os revendia e embolsava o dinheiro da venda.

Utilizando o codinome “Mineirin” no Tinder, a ficha corrida de Diego inicialmente parte de cerca de alguns inquéritos, que o deixaram com mandado de prisão em aberto. Em sequência, cerca de 100 mulheres afirmaram que foram lesadas por ele. Hoje, nas redes sociais, em especial no Facebook, onde uma das vítimas criou um perfil do golpista, oferecendo recompensa por informações que levassem à sua captura, são relatados cerca de 400 golpes aplicados pelo homem.

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