quinta-feira, 9 de junho de 2016

‘Criminosos mais modernos, mais sofisticados, usam offshores e trustes’, afirma procurador sobre Eduardo Cunha

Deltan Dallagnoll, da força-tarefa da Lava Jato, fulmina único álibi do presidente afastado da Câmara para se agarrar ao mandato e afirma que 'os criminosos mais antiquados usavam laranjas e testas de ferro'
POR JULIA AFFONSO, 
MATEUS COUTINHO, 
RICARDO BRANDT E FAUSTO MACEDO
O Estado de São Paulo

O procurador da República Deltan Dallagnol, da Operação Lava Jato, fulminou o único álibi no qual o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se agarra para manter o mandato na Câmara. Nesta quinta-feira, 9, o procurador que coordena a Lava Jato afirmou que ‘criminosos mais modernos usam offshores e trustes’.

Ao Conselho de Ética da Câmara, onde enfrenta um processo de cassação, Eduardo Cunha tem batido na tecla que não mantinha contas no exterior e, sim, trustes. Durante entrevista coletiva sobre a denúncia contra a mulher do parlamentar, Cláudia Cruz, o procurador atacou o argumento central do parlamentar.

“De modo bastante simples, quem cria um truste em benefício próprio é como se usasse o truste como depositário. É como se a pessoa entregasse para o seu gerente de banco o dinheiro para depois recebê-lo de volta. E de modo bastante simples, nós podemos dizer que para esconder quem é o verdadeiro proprietário do dinheiro, os criminosos mais antiquados, mais defasados, usavam ou usam laranjas e testas de ferros. Os criminosos mais modernos, mais sofisticados, usam offshores e trustes”, afirmou Deltan.

Na decisão que abriu a ação contra Cláudia Cruz, o juiz federal Sérgio Moro também desmontou o álibi de Cunha. O magistrado considerou ‘questionável’ a versão do presidente afastado da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), de que os valores movimentados em contas no exterior atribuídas a ele pertencem a trusts e offshores e não estão em seu nome.

“Em princípio, o álibi de que as contas e os valores eram titularizados por trusts ou off-shore é bastante questionável, já que aparentam ser apenas empresas de papel, sem existência física ou real . A Köpek (da mulher de Cunha, Cláudia Cruz), aliás, menos do que isso”, assinala Moro.

A reportagem entrou em contato com o escritório que defende Idalécio e deixou recado, mas não obteve retorno. O espaço está aberto para a manifestação do empresário.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA PIERPAOLO BOTTINI

Claudia Cruz responderá às imputações como fez até o momento, colaborando com a Justiça e entregando os documentos necessários à apuração dos fatos. Destaca que não tem qualquer relação com atos de corrupção ou de lavagem de dinheiro, não conhece os demais denunciados e jamais participou ou presenciou negociações ilícitas.

A NOTA DIVULGADA POR EDUARDO CUNHA NO TWITTER:

“Trata-se de procedimento desmembrado do inquérito 4146 do STF, em que foi apresentada a denúncia, pelo Procurador Geral da República, ainda não apreciada pelo Supremo.

Foi oferecida a denúncia do Juízo de 1º Grau, em que o rito é diferenciado, com recebimento preliminar de denúncia, abertura de prazo para defesa em dez dias e posterior decisão sobre a manutenção ou não do seu recebimento.

O desmembramento da denúncia foi alvo de recursos e Reclamação ainda não julgados pelo STF que, se providos, farão retornar esse processo do STF.

Independente do aguardo do julgamento do STF, será oferecida a defesa após a notificação, com certeza de que os argumentos da defesa serão acolhidos.

Minha esposa possuía conta no exterior dentro das normas da legislação brasileira, declaradas às autoridades competentes no momento obrigatório, e a origem dos recursos nela depositados em nada tem a ver com quaisquer recursos ilícitos ou recebimento de vantagem indevida.

Eduardo Cunha”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOÃO HENRIQUES:


O criminalista José Claudio Marques Barbosa, que defende João Augusto Rezende Henriques, informou que só vai se manifestar sobre a acusação pelos autos e após se encontrar com seu cliente, que está preso no Paraná.

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