quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Gestor do xerox da Câmara ganha igual ministro do STJ, respondem juízes a Renan

Principal entidade dos magistrados federais do País reage a declarações do presidente do Senado e diz que se há abuso nos contracheques 'todos os poderes devem ser investigados'.

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo
O Estado de São Paulo

Os juízes federais reagiram às declarações do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB/AL), que, nesta quarta-feira, 16, afirmou que ‘entidades contrárias’ à investigação sobre os supercheques nos Três Poderes ‘não vão inibir o Senado’.

Renan instalou uma comissão para rastrear os holerites mais polpudos da administração pública em todos os seus níveis e instâncias.

Em nota, a Associação dos Juízes Federais, principal entidade da magistratura responsável pelas ações de interesse da União, afirmou. “O que se deseja é que a investigação dos supersalários não se restrinja ao Judiciário.”

O texto, subscrito pelo presidente da entidade, Roberto Veloso, não cita nomes, mas faz uma revelação importante em meio à polêmica sobre os detentores dos grandes vencimentos no funcionalismo. “É incompatível com o grau de complexidade dos cargos exercidos que o administrador do serviço de xerox da Câmara dos Deputados perceba vencimento igual a um ministro do Superior Tribunal de Justiça.”

“Se há abuso, todos os poderes devem ser investigados”, desafia Veloso. “Mas, infelizmente, as baterias estão voltadas apenas contra um dos poderes.”

Ele observa que o regime de subsídios com o teto constitucional foi uma luta da Associação dos Juízes Federais. “No entanto, há um desrespeito à norma constitucional que determina sua recomposição inflacionária anual. Estranhamente, todas as carreiras tiveram reajuste dos seus vencimentos com exceção da magistratura.”


Na avaliação do líder dos juízes federais o engessamento dos contracheques da toga caracteriza uma retaliação. “Tal atitude faz-nos pensar que está havendo retaliação contra as instituições encarregadas de investigar e de julgar os casos de corrupção no Brasil.”

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