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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Nova etapa da ‘Operação Jenga’ vai prender outros integrantes da quadrilha do agiota Pacovan e identificar a origem dos R$ 200 milhões movimentados

A operação prossegue para cumprimento dos demais mandados de prisão, para precisar há quanto tempo o esquema era executado e identificar a origem do dinheiro movimentado pela quadrilha
Os 18 presos na 'Operação Jenga', deflagrada na manhã desta quinta-feira (4), foram apresentados no auditório da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), na Vila Palmeira. Eles fazem parte de uma quadrilha comandada pelo agiota e empresário Josival Cavalcante da Silva, o 'Pacovan'. Foram cumpridos 43 mandados de busca, apreensão e prisão, fruto das investigações que apuram crime de lavagem de dinheiro a partir de diversas empresas, incluindo postos de combustíveis na capital. Pacovan é apontado como líder do esquema criminoso.

O empresário já esteve preso, em 2015, por crime de agiotagem envolvendo prefeituras maranhenses. Em 2016, o suspeito cumpria sentença monitorado por tornozeleira. 

“Esta quadrilha liderada pelo Pacovan está sendo investigada há vários meses, e, agora, a polícia conseguiu desarticular um esquema que movimentou milhões cometendo fraudes diversas. A operação continua para que os demais envolvidos sejam presos e este esquema não volte a ocorrer”, enfatizou o secretário Segurança, Jefferson Portela.

O esquema fraudulento movimentou mais de R$ 200 milhões com participação de contadores, comercializadores de hortifrutigranjeiros, de construtoras e revendedores de combustíveis. 

A operação, coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), por meio do Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO), órgão da Superintendência Estadual de Investigação Criminal (Seic), prossegue para cumprimento dos demais mandados de prisão, para precisar há quanto tempo o esquema era executado e identificar a origem do dinheiro movimentado pela quadrilha.

61 caminhões foram apreendidos em uma grande garagem de propriedade do agiota Pacovan. Os veículos estão em nome de terceiros, possivelmente pessoas que têm débito com o agiota
“A apuração aponta que Pacovan montou uma rede criminosa utilizando empresas para lavar dinheiro, e, possivelmente, para desvio de verbas públicas”, explica o delegado-geral de Polícia Civil, Lawrence Melo. A próxima etapa dos trabalhos tem foco nos que operavam diretamente na lavagem do dinheiro - o Pacovan, familiares do suspeito e pessoas de fachada usadas como ‘laranjas’. Foi identificado que a movimentação financeira das empresas era incompatível com a estrutura física que possuíam, além de outros indícios, culminando com a investigação, que já dura um ano.

Na lista de empresas estão sete postos de combustíveis, destes, cinco na Região Metropolitana de São Luís, um no município de Zé Doca e outro em Itapecuru Mirim envolvidos no crime - que foram interditados. Segundo a lista da polícia, os postos localizados na região metropolitana da São Luís são Laranjal (Estrada de Ribamar); Santa Terezinha (Araçagi); Petrobrás (Angelim); Joyce 2 (Alemanha) e 3 (Rodoviária). “Com essa operação, a Segurança desarticulou um esquema que poderia ser ampliado a outras áreas e causar grande leso financeiro. Vamos prosseguir para apontar os demais envolvidos”, disse o titular da Seic, Tiago Bardal.
O agiota Pacovan é líder da quadrilha
"Pelo modo de operação, a quadrilha realizava operações comerciais fictícias dissimulando movimentos financeiros e usando nomes de fachada", explicou o titular da DCCO, delegado Ney Anderson Gaspar. Entre os crimes atribuídos ao grupo estão lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, fraude em licitação, porte e posse ilegal de arma de fogo, crimes contra a ordem econômica (usura, adulteração de combustíveis, concorrência desleal) e tributária.

Ainda como resultado da operação foi apreendido 61 caminhões; sequestro de 11 imóveis, entre casas, fazendas e postos de combustíveis comprados com dinheiro ilícito; e uma série de contas bancárias bloqueadas. Os suspeitos ficaram detidos na Seic até serem apresentados durante a coletiva na SSP, e, após, encaminhados ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas por força de prisão temporária.

Integraram a operação também a Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC), Superintendência de Polícia Civil do Interior (SPCI), Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC), Superintendência Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Senarc) e Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP).
Entrevista coletiva da cúpula da Secretaria de Segurança durante a apresentação
dos 18 integrantes da quadrilha do agiota Pacovan
Prisões

Além de Pacovan a Polícia Civil conseguiu prender por meio de cumprimento de mandado de prisão Samia Lima Awad, Thamerson Damasceno Fontenele, Simone Silva Lima, Edna Maria Pereira (esposa de Pacovan), Rafaely de Jesus Souza Carvalho, Creudilene Souza Carvalho, Adriano Almeida Sotero, Geraldo Valdonio Lima da Silva, Lourenço Bastos da Silva Neto, José Etelmar Carvalho Campelo, estes dois últimos apontados como contadores da organização. Foram presos, também, Renato Lisboa Campos, João Batista Pereira, Kellya Fernanda de Sousa Dualib, Manassés Martins de Sousa, Jean Paulo Carvalho Oliveira e Francisco Xavier Serra Silva.

Peça-chave

O nome da operação alude ao jogo intitulado jenga, que consiste no encaixe de peças e a retirada de uma desmorona todo o conjunto. Para a polícia, o ‘Pacovan’ é a peça-chave do jogo que, retirado, desarticulou toda a quadrilha e o esquema criminoso.

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