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domingo, 4 de março de 2018

Desmonte da quadrilha de contrabandistas: um duro golpe no crime organizado, que continua mais vivo do que nunca

O desmonte da quadrilha de contrabandistas, comandada pelo empresário e político Rogério Garcia, ex-vice-prefeito de São Mateus, foi um duro golpe em um dos braços do crime organizado do Maranhão.

Uma ação que já levou para a cadeia 13 supostos envolvidos, dentre eles um advogado, um delegado, um coronel, um major e outros policiais, além mais um coronel que estaria foragido, suspeitos de dar proteção aos criminosos.

E tem muitos mais a ser revelado: quem seriam os dois deputados e um secretário, citados em conversa de Rogério Garcia com um suposto comparsa? Até agora, nenhuma revelação dessas figuras de proa que dariam proteção a esses criminosos que contrabandeavam mercadorias vindas do Suriname.

Se essas mercadorias vinham do Suriname, de que forma chegavam à Ilha de São Luís? Em navios e depois colocadas em barcos menores que atracavam no porto do Arraial, nos fundo de um sítio no Quebra Pote? Haverá alguma fiscalização na área do Porto do Itaqui?
A operação de desmonte da quadrilha de contrabandistas tem o comando
do secretário de Segurança, Jefferson Portela
Pelo visto, a Secretaria de Segurança ainda terá muito trabalho até chegar a todos os envolvidos nessa organização criminosa. A determinação do governo, é para que todos sejam identificados, presos e que paguem por seus crimes.

Não é a primeira vez que se desmonta uma grande organização criminosa no Maranhão. Na década de 1990, outra grande ação desmontou uma grande quadrilha que contava com a participação de dois parlamentares, que terminaram cassados. Responsável pelo comando das operações, o delegado Stênio Mendonça terminou assassinado na Avenida Litorânea.

Os deputados José Gerardo de Abreu e Francisco Caíca foram cassados por falta de decoro parlamentar, acusados como líderes do crime organizado no Estado. A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado realizou trabalhos de investigação, iniciados em meados de 1999, com o objetivo de apurar crimes que à época vinham se avolumando à sombra da impunidade.
Além da cassação dos mandatos de Zé Gerardo e Chico Caíca, a CPI do Crime Organizado foi encerrada, no final de novembro de 1999, com o pedido de indiciamento de 53 pessoas, entre elas o ex-deputado Hemetério Weba, cinco prefeitos, 10 policiais e ex-policiais, dois empresários, além de bandidos reconhecidamente envolvidos com crimes no Estado.

Na ocasião em que perdeu o mandato, Zé Gerardo era investigado em 10 inquéritos pela Polícia Civil, acusado de participar de roubo de caminhões e de ser mandante de nove assassinatos.

Os dois inquéritos que originaram os pedidos de prisão foram os que investigaram os assassinatos do delegado Stênio Mendonça e do ex-cobrador de ônibus Carlindo Sousa, que era funcionário de uma empresa de Zé Gerardo e havia entrado na Justiça por questões trabalhistas.
Posteriormente, depois passar algum tempo na prisão, José Gerardo virou evangélico e está novamente muito rico, por conta de indenizações milionárias que conseguiu na Justiça.

Passados quase 20 anos, o Maranhão assiste praticamente ao mesmo enredo supostamente envolvendo dois parlamentares. Será que serão chamados prestar esclarecimentos? Se confirmada a participação desses supostos parlamentares, configurando-se em quebra de decoro, eles terão os mandatos cassados?

Diante de tudo isso, lembro-me do que disse o hoje senador João Alberto, no auge da CPI do Crime Organizado: “É difícil combater o crime organizado porque o mesmo tem ramificações em todos os poderes”. Diante do que estamos vendo, mais uma vez, com o suposto envolvimento de homens públicos nessa organização criminosa, alguém duvida do que disse o aliado da oligarquia Sarney, que foi 90% honesto no governo?
O Secretário de Segurança, Jefferson Portela, chegou a comparar o deputado Raimundo Cutrim,  
um dos críticos da operação, à 'Besta Fera' e 'demônio'. Em resposta, 
Cutrim disse que Jefferson faz política e que a segurança está um caos.
O certo mesmo é que o crime organizado e a política caminham juntos, no Maranhão e em todo o país. Interessa aos criminosos contar com ‘protetores’ nas mais diversas instâncias de poder.

Políticos continuarão tendo o financiamento do crime organizado, por meio do caixa dois de campanha que garante muitos mandatos. Dinheiro que pode vir, também, do desvio de recursos públicos, por meio do superfaturamento de obras e serviços.

Além disso, alguns criminosos passam a mandar em gestões públicas porque financiaram campanhas de eleitos. Um exemplo: o agiota Gláucio Alencar, acusado de mandar matar o jornalista Décio Sá, era detentor de várias empresas utilizadas para fazer negócios escusos com prefeituras, segundo revelado nas investigações policiais. Alencar está solto, talvez ainda nesse tipo de atividade ilícita.

O empresário Rogério Garcia fala que vai tentar resolver a situação com um secretário e dois deputados
Há pouco tempo, veio à tona uma denúncia de prática de agiotagem envolvendo a Câmara Municipal de São Luís e o Banco Bradesco. Um rombo que chegaria a R$ 30 milhões. As investigações apontaram para a participação dos vereadores Pereirinha (ex-presidente) e Astro de Ogum (atual presidente). Ele foram indiciados em inquérito policial como líderes da suposta quadrilha. No entanto, por meio de manobras, a Justiça determinou a exclusão dos dois vereadores do inquérito, que está parado.

Portanto, essa é apenas mais uma parte do crime organizado que está sendo atingida pela operação gigantesca, comandada pelo secretário Jefferson Portel. que continua em andamento. Aguardemos os próximos capítulos.

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